Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), publicado nesta terça-feira (10), analisou os impactos econômicos de uma eventual redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, atualmente associada à escala 6×1. Segundo a pesquisa, os custos da medida seriam semelhantes aos observados em reajustes históricos do salário mínimo, como os de 12% em 2001 e 7,6% em 2012, que não afetaram o nível de emprego.
Para grandes setores como indústria e comércio, o aumento do custo trabalhista seria inferior a 1%, representando um impacto menor no custo total da operação, que envolve estoques e investimentos em maquinário. Já setores de serviços que dependem de mais mão de obra, como vigilância e limpeza, podem registrar impacto de até 6,5%, exigindo políticas de transição gradual e contratação de trabalhadores em meio período.
O estudo também destaca que jornadas de 44 horas concentram trabalhadores com menor escolaridade e renda. A redução para 40 horas semanais poderia aproximar esses trabalhadores das condições de colegas com melhores salários, aumentando o valor da hora de trabalho. Atualmente, trabalhadores com até 40 horas ganham em média R$ 6,2 mil, enquanto os que cumprem 44 horas recebem menos da metade.
O levantamento, que utilizou dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2023, aponta que 74% dos celetistas registrados têm jornada de 44 horas. A incidência de jornadas estendidas é ainda maior em pequenas empresas, chegando a 88,6% em empresas com até nove funcionários.
No cenário político, a redução da jornada e o fim da escala 6×1 estão entre as prioridades da Câmara dos Deputados para 2026, com previsão de análise em maio. O governo federal também incluiu o tema entre suas prioridades legislativas para o semestre.

