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    Saiba mais sobre o banco do Edir Macedo, comprado pelo bispo em 2020

    Interlocutores afirmam que a aquisição do banco tinha como objetivo reunir a parte financeira das operações do líder religioso, sobretudo as relacionadas à Igreja Universal
    RedaçãoPor Redação23/06/2026Nenhum comentário4 Minutos de Leitura
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    Alvo de nove mandados de busca e apreensão pela Operação Miragem, da Polícia Federal, nesta terça-feira (23), o Digimais teve seu controle adquirido pelo bispo Edir Macedo em 2020. Antes, o banco se chamava Renner e pertencia à família que fundou a varejista de roupas.

    Segundo interlocutores, o dono da Record TV e fundador da Igreja Universal do Reino de Deus buscava, com a instituição, canalizar a parte financeira de suas operações, em especial da Igreja Universal.

    Por meio de sua assessoria de imprensa, o Banco Digimais disse que permanece à disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos e colaborar com as apurações em curso. “A instituição reafirma seu compromisso com a transparência, a conformidade regulatória e a plena colaboração com as autoridades competentes.”

    Com a aquisição, o nome mudou para Digimais, a sede foi transferida do Rio Grande do Sul para São Paulo, e Macedo colocou o bispo João Luiz Urbaneja para comandar a instituição.

    Até então, o foco era o financiamento de veículos no estado gaúcho, mas a nova direção começou a diversificar a receita, comprando carteiras de crédito e títulos e valores mobiliários. Mais recentemente, o banco também passou a originar crédito consignado, com contratos com a Prefeitura de São Paulo. Porém, a carteira de crédito de R$ 1,57 bilhão ainda é em sua maioria de financiamento de veículos, seguida de consignado.

    Segundo dados de março de 2026, divulgados pela plataforma IF Data do Banco Central, o banco tinha R$ 10 bilhões em ativos totais e teve um prejuízo de R$ 108,4 milhões no primeiro trimestre deste ano. No ano passado, o balanço apontou lucro líquido de R$ 31 milhões.

    O Digimais encerrou março com R$ 8,5 bilhões em depósitos a prazo, como (CDB) Certificados de Depósitos Bancários.

    Há anos o banco enfrenta deterioração financeira e Edir Macedo precisou injetar recursos na instituição, ao passo que começou a tentar vendê-lo.

    O estresse financeiro se refletiu na alta rentabilidade dos CDBs (Certificados de Depósito Bancário) oferecidos pelo Digimais, que chegou a 130% do CDI, acima da média do mercado, levantando alertas.

    Maurício Quadrado, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, chegou a anunciar a aquisição em janeiro de 2025, em troca de uma injeção de R$ 800 milhões no Digimais, mas o negócio foi cancelado dois meses depois, com o avanço das investigações sobre Quadrado.

    Para facilitar a venda, Macedo deu a administração do banco para um executivo com mais experiência no setor. Desde o início deste ano, a instituição é comandada por Aldemir Bendine, ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil, que tem a missão de deixar a casa em ordem e vendê-la. Já o bispo Urbaneja ficou no comando do conselho de administração.

    Em abril deste ano, o BTG Pactual anunciou acordo para adquirir a instiuição. A informação foi confirmada pelo banco de André Esteves em comunicado ao mercado. O Digimais não se pronunciou. Procurado nesta terça, o BTG disse que não iria comentar.

    A reportagem apurou com pessoas próximas ao assunto que a conclusão da transação dependia de uma série de tratativas, inclusive um acerto com o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) para financiar a transação. Outras instituições financeiras interessadas no Digimais também poderiam entrar em uma eventual disputa pelo banco de Edir Macedo com patrocínio do fundo. Na prática, outros proponentes poderiam fazer uma oferta de compra do banco.

    No comunicado, o BTG afirmou que o objetivo da disputa é estabelecer um valor de referência para a alienação da totalidade das ações do Digimais, “em um processo competitivo a ser oportunamente lançado”. Entre outros fatores, será necessária a aprovação do Banco Central e do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

    Nos bastidores, a venda era vista com bons olhos por ser uma forma de evitar uma eventual liquidação do Digimais, cujos depósitos teriam que ser integralmente cobertos pelo FGC. Com a alienação para outro banco, a tendência é que as perdas do fundo sejam menores, mesmo que o FGC tenha que cobrir parte do passivo.

    RAIO-X | DIGIMAIS NO 1º TRI DE 2026

    Fundação: 1981
    Prejuízo líquido: R$ 108,355 milhões
    Patrimônio líquido: R$ 804 milhões
    Concorrentes: Santander, Bradesco, Itaú, Banco do Brasil, Nubank

     

    POR:  (FOLHAPRESS)SÃO PAULO, SP.

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