Grupos evangélicos manifestam apoio à reeleição de Lula e defendem combate à fome e às desigualdades
Entidades religiosas enviaram carta ao Palácio do Planalto e afirmaram que defesa da democracia, justiça social e direitos humanos está alinhada aos ensinamentos do Evangelho
Em meio à disputa pelo eleitorado evangélico nas eleições de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, nesta semana, uma nova manifestação de apoio de organizações ligadas ao segmento religioso. Na segunda-feira, 31 de agosto, três entidades evangélicas formalizaram apoio à candidatura do petista à reeleição e encaminharam ao Palácio do Planalto uma carta em defesa de seu projeto político.
Assinaram o documento a Associação das Igrejas e Templos Evangélicos de Médio e Pequeno Porte do Estado do Rio de Janeiro (AITEMPERJ), a Associação de Mulheres Evangélicas com Cristo e Pela Vida (Amevida) e o Movimento Jesus Libertador. As organizações defenderam a continuidade do governo Lula e associaram sua posição a pautas como justiça social, proteção aos mais pobres, liberdade religiosa e defesa da democracia.
A movimentação ocorre em um momento em que o eleitorado evangélico ocupa posição estratégica na corrida presidencial. Segundo dados citados pela reportagem, os evangélicos representam 26,9% da população brasileira. O segmento ganhou forte peso político nos últimos anos e passou a ser associado, em grande medida, à direita e à extrema-direita, especialmente após a ascensão política e o governo de Jair Bolsonaro.
Para Lula, conquistar maior apoio entre os eleitores religiosos é um dos desafios da campanha de 2026. A disputa pelo segmento também envolve nomes da oposição, entre eles o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Nesse cenário, manifestações de apoio vindas de organizações evangélicas assumem importância política para o candidato à reeleição.
Carta cita Bíblia e políticas sociais
Na carta encaminhada ao Palácio do Planalto, as entidades afirmam que o governo Lula demonstra respeito à diversidade religiosa. Para fundamentar o posicionamento, o documento recorre também a referências bíblicas, entre elas uma passagem de Isaías 1:17, que orienta os fiéis a praticarem o bem, buscarem a justiça e socorrerem os oprimidos.
As organizações destacam ainda medidas e iniciativas relacionadas à comunidade cristã, como a criação do Dia Nacional da Marcha para Jesus, do Dia do Evangélico e o reconhecimento de manifestações artísticas cristãs como patrimônio cultural.
Outro ponto destacado pelas entidades é a relação que estabelecem entre os ensinamentos do Evangelho e políticas públicas voltadas à população de baixa renda. Nesse contexto, citam programas como o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida.
Em um dos trechos do manifesto, os grupos defendem um país no qual nenhuma pessoa seja perseguida por causa de sua fé e manifestam o desejo de que o Brasil avance no enfrentamento da fome, da pobreza, das desigualdades e das diferentes formas de exclusão.
O documento também menciona a necessidade de segurança no processo eleitoral e manifesta apoio à candidatura da deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ) ao Senado.
Apoio também aparece nas igrejas
A manifestação das entidades não se limita às organizações que assinaram a carta. O apoio a Lula também aparece entre integrantes de comunidades religiosas, especialmente em regiões periféricas.
Um dos exemplos citados é o de Nara Lucia, líder do núcleo de oração da Primeira Igreja Batista em Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife. Ela declarou voto em Lula e afirmou que, embora o tema não seja tratado durante os momentos de oração ou vigílias da igreja, não esconde sua preferência política fora do ambiente do templo.
Nara Lucia também defendeu a ideia de que a identidade cristã deve ser demonstrada principalmente pelas atitudes cotidianas, e não apenas por discursos. Ao comentar o uso político da religião por adversários de Lula, fez críticas a Jair Bolsonaro e a seu filho.
Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito também apoia Lula
A carta assinada pela AITEMPERJ, Amevida e Movimento Jesus Libertador se soma a uma manifestação divulgada anteriormente pela Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito.
Criado em 2016, durante o processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff, o movimento foi fundado por lideranças como o pastor Ariovaldo Ramos, a jornalista Nilza Valéria e o ex-preso político Anivaldo Padilha.
Em um encontro nacional realizado no Rio de Janeiro na semana anterior, a Frente aprovou, por unanimidade, apoio à candidatura de Lula à reeleição.
Em sua carta pública, o grupo questiona a ideia de que os evangélicos formem um eleitorado uniforme, necessariamente alinhado à extrema-direita. A organização afirma que sua opção por Lula está relacionada ao compromisso com a democracia e a justiça social, mas ressalta que isso não representa uma adesão irrestrita ao governo nem um “cheque em branco” ao presidente.
Disputa pelo significado do voto evangélico
As manifestações revelam também uma disputa política em torno da própria definição do chamado “voto evangélico”.
Os movimentos que apoiam Lula procuram demonstrar que não existe uma única orientação política entre os cristãos e que questões como defesa dos direitos humanos, soberania nacional, combate à fome e redução das desigualdades podem, segundo sua interpretação, estar diretamente relacionadas aos princípios do Evangelho.
A articulação ocorre justamente em um momento em que a religião permanece no centro da disputa eleitoral de 2026. Com Lula buscando ampliar sua presença entre os eleitores evangélicos, as declarações de apoio de entidades religiosas representam uma tentativa de mostrar que o segmento não constitui um bloco político homogêneo e que existem diferentes posições dentro das igrejas e comunidades cristãs.
Por Zecca Paim- Jornalista
DRT 1453/RO
Leia Também
Toffoli revê decisão e libera campanha de Renan Santos após restrições impostas pelo TSE
agora
Hoje tem debate! Candidatos ao Governo de Rondônia participam de debate ao vivo nesta terça-feira (01)
há 47 minutos