O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), proibiu a realização de um campeonato de “Farmar Aura”, previsto para a próxima sexta-feira (24), no Parque das Águas. A decisão ganhou repercussão após o gestor afirmar que desconhecia o significado da expressão e associá-la à orientação sexual.
Durante conversa com jornalistas, ao ser questionado sobre o tema, Brunini respondeu:
“Tenho nem ideia, sou hétero.”
Na mesma entrevista, o prefeito criticou a iniciativa e justificou a negativa para a realização do evento.
“Acredito que, no futuro, as pessoas que participam dessa brincadeira vão sentir muita vergonha. Não houve também solicitação de alvará para que fosse realizado (no parque)”, disse.
Posteriormente, por meio das redes sociais, o prefeito reforçou sua posição e afirmou haver diversos motivos para impedir a competição em espaço público.
“Farmar aura? Temos 67 motivos para negar esta atividade em área pública, alguns destes principais motivos são de saúde mental coletiva, falta de interesse público, bem estar social e preservação do bom uso do espaço público”, escreveu.
Apesar da declaração de Brunini, a expressão “farmar aura” não possui qualquer relação com orientação sexual. Popular entre jovens, especialmente nas redes sociais, a gíria é utilizada para descrever atitudes capazes de transmitir carisma, personalidade ou boa reputação, como fazer uma pose marcante, criar um meme ou realizar uma dança que desperte atenção e engajamento.
No campeonato, os participantes disputam apresentações individuais, sendo vencedor aquele que conseguir causar maior impacto ou demonstrar mais criatividade diante do público.
A origem da expressão está no universo dos videogames. Em jogos como “League of Legends” e “Minecraft”, o verbo inglês “to farm” passou a ser utilizado para indicar a ação de acumular recursos, experiência ou itens durante as partidas. Com o tempo, o termo foi incorporado ao vocabulário dos jogadores brasileiros e combinado com a palavra “aura”, que ganhou o sentido de carisma, presença, astral ou capacidade de impressionar, tornando-se uma das gírias mais populares da chamada Geração Z.
Por: Zecca Paim- Jornalista
DRT 1453-RO

