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    Saiba como ajudar uma pessoa que passa mal em blocos e festas de Carnaval

    Calor, álcool e outras substâncias aumentam o risco de mal-estar nos blocos e festas. Especialistas explicam como reconhecer sinais de alerta, quais medidas realmente ajudam antes do socorro chegar e por que práticas comuns, como dar café ou sal, podem agravar a situação
    RedaçãoPor Redação09/02/2026Nenhum comentário4 Minutos de Leitura
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    “Vamos viver tudo que há para viver / Vamos nos permitir”, versos de “Tempos Modernos”, de Lulu Santos, costumam servir de lema para o Carnaval. Mas a combinação de calor, sol forte, esforço físico, álcool e outras substâncias pode provocar mal-estar e exigir atenção redobrada.

    Saber como agir diante de alguém que passa mal é essencial para garantir um socorro rápido e seguro. Sintomas como tontura, palidez, escurecimento da visão, sonolência ou desorientação pedem medidas imediatas, como afastar a pessoa da multidão, mantê-la sentada ou deitada de lado e, em alguns casos, oferecer água. Especialistas alertam que práticas populares, como colocar sal na língua, dar café ou chacoalhar a pessoa, não ajudam e podem agravar o quadro.

    A reportagem reuniu orientações médicas sobre o que realmente fazer, o que evitar e quando acionar ajuda profissional durante a folia.

    O que realmente ajuda enquanto o socorro não chega

    Para o médico emergencista Yuri Castro Santos, do Hospital Regional de Varginha, em Minas Gerais, a conduta correta é simples e pode salvar vidas. Ao notar confusão mental, sonolência intensa, desmaio ou alteração da respiração, a orientação é ligar imediatamente para o Samu, pelo 192, ou acionar os socorristas do evento.

    Enquanto o atendimento não chega, a pessoa deve ser colocada deitada de lado, em local arejado, longe da multidão, e nunca deixada sozinha.

    A neurologista Leticia Januzi Rocha, vice-coordenadora do Departamento Científico de Doenças Cerebrovasculares da Academia Brasileira de Neurologia, explica que, em casos de tontura, fraqueza e palidez, comuns em quedas de pressão ou hipoglicemia, deitar a pessoa e elevar as pernas pode ajudar a restabelecer a circulação.

    Se a pessoa estiver acordada, orientada e conseguindo engolir, podem ser oferecidos pequenos goles de água, soro de reidratação ou água de coco. Caso contrário, a hidratação não deve ser feita.

    Santos reforça que o tratamento varia conforme a substância envolvida, mas qualquer intervenção medicamentosa deve ser feita apenas por profissionais de saúde.

    Mitos populares que atrapalham

    Entre os erros mais comuns está colocar sal na língua. “Isso não acorda, não corta o efeito da droga e não melhora o quadro. Pelo contrário, pode causar engasgo, vômito e até aspiração para o pulmão”, afirma Santos.

    Jogar água no rosto também não resolve. Segundo o médico, o gesto provoca apenas um estímulo momentâneo e pode criar falsa sensação de melhora, atrasando a busca por ajuda médica.

    Oferecer café, bebidas energéticas ou mais álcool é outra prática perigosa. “Misturar substâncias sobrecarrega o coração, aumenta o risco de arritmias e pode agravar muito o quadro clínico”, diz.

    Rocha acrescenta que chacoalhar a pessoa, forçá-la a andar, provocar vômito ou submetê-la a banho frio eleva o risco de quedas, aspiração e choque térmico.

    Como agir em casos de convulsão, confusão mental e desmaio

    Segundo a neurologista, desidratação, calor excessivo, jejum prolongado, privação de sono e uso de álcool e drogas estão entre os principais gatilhos de desmaios e alterações neurológicas no Carnaval.

    Em crises convulsivas, a orientação é afastar objetos ao redor e permitir que a pessoa se movimente livremente. Nunca se deve colocar a mão ou qualquer objeto dentro da boca. Após a crise, ela deve ser deitada de lado para evitar broncoaspiração em caso de vômito ou excesso de saliva.

    Confusão mental súbita é sinal de alerta e deve ser tratada como emergência, especialmente quando a pessoa não reconhece o ambiente, fala sem sentido ou apresenta comportamento incompatível com o que consumiu. Dor de cabeça intensa e inédita, vômitos persistentes, fraqueza em um lado do corpo e desmaios exigem acionamento imediato do Samu.

    Rocha chama atenção ainda para o risco de AVC durante festas. Boca torta, fala enrolada, perda de força em um braço, desequilíbrio ou perda súbita da visão são sinais clássicos. “Se a pessoa não está plenamente consciente, respirando normalmente e orientada, estamos diante de uma emergência”, resume Santos.

    Misturas perigosas

    O psiquiatra Dartiu Xavier, professor da Unifesp e especialista em dependência química, destaca que o MDMA merece atenção especial por elevar a temperatura corporal. A hidratação é fundamental, mas deve ser moderada.

    “O excesso de água pode causar intoxicação hídrica, quando o nível de sódio no sangue cai perigosamente”, explica.

    A combinação de MDMA com outros estimulantes, como cocaína, é considerada de alto risco. Já o GHB, conhecido como ecstasy líquido, é apontado como uma das drogas mais perigosas em ambientes festivos. “A dose letal é muito próxima da dose recreativa, e a pessoa pode perder facilmente o controle do quanto está usando”, alerta.

    Medicamentos psiquiátricos também exigem cuidado. Ansiolíticos e sedativos potencializam o efeito do álcool e podem causar sedação profunda e perda de consciência. Antidepressivos, em geral, não produzem o mesmo efeito, mas o uso combinado deve sempre ser avaliado por um médico.

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    Redação

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