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    Remédio mais caro do Brasil, de R$ 11 milhões, é aplicado pela primeira vez no SUS

    Duas crianças com distrofia muscular de Duchenne receberam o medicamento nesta semana
    RedaçãoPor Redação21/02/2025Nenhum comentário3 Minutos de Leitura
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    O SUS (Sistema Único de Saúde) realizou as primeiras infusões do medicamento de alto custo Elevidys (delandistrogeno moxeparvoveque).

    De acordo com o Ministério da Saúde, duas crianças com distrofia muscular de Duchenne receberam o medicamento nesta semana no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), referência no tratamento de doenças raras.

    O Elevidys é o remédio mais caro do Brasil. O valor de comercialização de cada dose, conforme definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), foi estabelecido em R$ 11 milhões.

    Com a aquisição e aplicação do medicamento, o governo federal cumpre ordem do STF (Supremo Tribunal Federal) de administrar o Elevidys a pacientes que atendam aos critérios para recebê-lo. O medicamento, desenvolvido para estabilizar a função muscular, ainda que de forma parcial, é indicado para crianças com idade entre 4 e 7 anos.

    A distrofia muscular de Duchenne é uma doença genética rara, que acomete principalmente crianças do sexo masculino. Essa alteração genética é caracterizada pela falta ou alteração de uma proteína no músculo, a distrofina, que causa o principal sintoma da doença: fraqueza muscular. A condição pode levar à perda progressiva de habilidades motoras, como correr, pular e subir escadas.

    Até então, o uso de corticoides para retardar a progressão da fraqueza muscular era o único tratamento disponível no país.

    Os dois pacientes terão acompanhamento médico e cuidados para a avaliação da efetividade da terapia. O Ministério da Saúde afirma que as evidências disponíveis sobre o Elevidys ainda são limitadas e que o tratamento tem sido debatido pela comunidade científica.

    A expectativa, segundo a neurologista infantil Michelle Becker, responsável pelo Ambulatório de Doenças Neuromusculares do HCPA, é estabilizar ou tornar a progressão da doença mais lenta.

    “A gente não espera que o tratamento vá reverter aquela perda de força que o paciente tem. É muito importante dizer para as famílias que não é uma cura. Até agora, os estudos mostram que o medicamento é capaz de estabilizar ou de atrasar a progressão da doença, mas a duração do efeito ainda é limitada”, disse.

    FAMÍLIAS DIZEM TER ESPERANÇA

    Para Alessandro Neves, pai de uma das crianças que recebeu a infusão, a possibilidade de estabilização já traz esperança.

    “Não sei se, daqui a pouco, essa medicação pode ter um efeito mais longo. Ainda não há evidências, mas só de estabilizar, a gente se sente abençoado. E, mais para frente, se tiver algum [medicamento] que seja realmente a cura, a gente ganha um pouco mais de tempo com essa aplicação”, disse ele, conforme material divulgado pelo Ministério da Saúde.

    Luana Fassina, mãe da outra criança, também diz esperar que o medicamento possa garantir uma maior qualidade de vida para o filho.

    “Fomos muito bem recepcionados, a equipe é maravilhosa e nos deu todo o suporte”, disse ela, ainda segundo o governo federal.

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    Redação

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