São Paulo já registrou sete casos de febre amarela e três mortes pela doença em humanos neste ano. As informações são da Secretaria de Estado da Saúde (SES) e consideram registros até a sexta-feira. Os prováveis locais de infecção são Socorro (quatro casos), Tuiuti (um caso) e Joanópolis (um caso). O local provável de infecção do outro caso ainda está em investigação.
O infectologista Alexandre Naime Barbosa, chefe do Departamento de Infectologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e coordenador científico da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), diz que os números chamam a atenção. “Desde 2020, São Paulo não tinha um número de casos tão chamativo, mais do que cinco, como está acontecendo já agora nas primeiras semanas de janeiro.”
Segundo ele, o número expressivo decorre, principalmente, de dois fatores que atuam sinergicamente. O primeiro é o aumento da exposição. No verão, as pessoas tendem a frequentar mais áreas de recreação, como regiões rurais, florestas e cachoeiras.
Nesses locais, há maior contato com mosquitos silvestres, como hemagogos e sabetes, que habitam a copa das árvores. Esses insetos, vetores da doença, picam primatas não humanos – os principais hospedeiros do vírus – que podem estar infectados e, posteriormente, picam seres humanos, transmitindo a febre amarela.
MORTE DE MACACOS
Além disso, há um aumento na epizootia, diz o médico, que são os óbitos por febre amarela em macacos nas regiões onde os casos e óbitos humanos também estão ocorrendo. “Deve estar havendo uma maior proliferação da febre amarela em primatas não humanos.”
O infectologista reforça que a melhor forma de proteção contra a doença ainda é a vacinação e o momento pede um bom monitoramento da fauna para entender como está a dinâmica de circulação do vírus.
Há dois diferentes ciclos de transmissão da febre amarela, o silvestre e o urbano. No ciclo silvestre, os macacos são os principais hospedeiros e os vetores são mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes. Nesse ciclo, o homem participa como um hospedeiro acidental ao frequentar áreas de mata.
Já no ciclo urbano o homem é o único hospedeiro com importância epidemiológica e a transmissão ocorre a partir de mosquitos Aedes aegypti – os mesmos que são vetores da dengue – infectados
De acordo com o Ministério da Saúde, os sintomas principais da doença são: febre de início súbito, calafrios, dores na cabeça, nas costas e no corpo em geral, além de enjoo, vômito e fraqueza Na maioria das vezes, as pessoas melhoram após esses sintomas, mas 15% ficam cerca de um dia sem sintomas e, depois, evoluem para quadros mais graves. Por isso, é importante ter um acompanhamento médico.
Fonte: Estadão Conteúdo.

