A série de casos de intoxicação por metanol registrada em São Paulo acendeu um alerta grave de saúde pública. O alerta é da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), que emitiu nota manifestando preocupação com o cenário e prestando solidariedade às famílias das vítimas. Até o momento, o governo paulista confirmou cinco mortes e sete casos em função da contaminação pela substância. Outros 15 episódios estão sob investigação.

De acordo com a Abrasel, até o momento há apenas um caso não fatal relacionado ao consumo de bebida contaminada em um estabelecimento comercial, que teria ocorrido em um bar na região dos Jardins, alvo de fiscalização pelas autoridades. Não há registro de novos casos ligados a bares ou restaurantes, garantiu a associação.
A Abrasel destacou ainda que a falsificação e a adulteração de bebidas representam crimes graves contra o consumidor, afetando a saúde da população e prejudicando negócios legalizados. “Estabelecimentos sérios também são vítimas dos criminosos e sofrem com a desconfiança gerada por essas práticas ilegais”, pontuou a associação, que defende ações conjuntas entre autoridades, setor produtivo e sociedade.
Para a entidade, a atuação preventiva do poder público ainda é insuficiente. Nesta terça-feira (30/9), a Polícia Federal (PF) informou que abriu um inquérito para investigar as causas da intoxicação por metanol e para apurar se há relação com o crime organizado. Neste sentido, a Abrasel informou que é fundamental intensificar a fiscalização de fábricas clandestinas e de distribuidoras, que podem ser pontos-chave no combate à circulação de bebidas adulteradas.
“Além de alertar os estabelecimentos sobre os sinais de adulteração — como preços muito baixos, lacres tortos, erros de impressão e odor semelhante a solventes — a Abrasel recomenda que garrafas vazias sejam inutilizadas (quebradas) antes do descarte, impedindo que sejam reaproveitadas por falsificadores para enganar consumidores com produtos adulterados”, diz em nota.
Por fim, a Abrasel criticou ainda a demora na divulgação do primeiro caso de intoxicação, que teria ocorrido há mais de um mês. O atraso, segundo a entidade, retardou medidas preventivas. “A Abrasel se coloca à disposição das autoridades para contribuir com o esforço de conscientização, de fiscalização e com a punição exemplar dos responsáveis, colaborando na construção de soluções eficazes e responsáveis para proteger a população e fortalecer o setor de alimentação fora do lar ”,finalizou a associação.

