Rondônia Diante do Futuro: Os Grandes Desafios da Gestão de Marcos Rogério a Partir de 2027
Considerada o maior problema do estado pelos eleitores, a saúde pública exige atenção imediata.
Eleito para comandar o estado pelos próximos quatro anos, o novo governador de Rondônia, Marcos Rogério (PL), assumirá o mandato em janeiro de 2027 diante de um cenário repleto de obstáculos administrativos, fiscais e sociais. Dados de pesquisas da Quaest, realizadas em agosto e setembro, apontam que saúde, segurança e infraestrutura são as principais preocupações dos eleitores. O diagnóstico é reforçado por um guia do Tribunal de Contas de Rondônia (TCE-RO), que detalha os desafios econômicos para o próximo quadriênio.
As Contas Públicas e o Orçamento Apertado
O TCE-RO alerta que mais de 90% dos recursos estaduais — o equivalente a R$ 15,05 bilhões — já estão comprometidos com despesas correntes, como pessoal e custeio. Apenas 8% foram destinados a investimentos. Com uma margem praticamente inexistente para novas despesas obrigatórias em 2027, o próximo gestor terá espaço fiscal restrito para cumprir promessas de campanha, que incluem formalmente não criar novos impostos, não elevar alíquotas e não aumentar a carga tributária.
Saúde Pública no Limite
Considerada o maior problema do estado pelos eleitores, a saúde pública exige atenção imediata. Promessas anteriores de construir um novo hospital de urgência e emergência na capital para desafogar o João Paulo II não foram cumpridas. O TCE apontou que hospitais estaduais operam no limite do desgaste, gerando riscos e custos elevados. Desafios como filas para consultas e exames, cirurgias eletivas, atendimento especializado, regulação de vagas e a situação do interior estarão na mesa do novo governador.
Segurança Pública e Criminalidade em Alta
O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública apontou que Rondônia registrou alta de 7,5% nas Mortes Violentas Intencionais (MVI) em 2025. O estado também apresenta a segunda maior taxa de feminicídios do país (2,9 por 100 mil mulheres), contando com apenas oito delegacias especializadas na mulher — nenhuma funcionando 24 horas — e nenhuma sede própria na capital.
Além disso, a região é rota de mercúrio ilegal e tráfico de drogas na fronteira de Guajará-Mirim. No âmbito de pessoal, o estado enfrenta déficits severos de efetivo: tem o maior déficit de policiais civis do país (apenas 28,1% do necessário), enquanto a Polícia Penal opera com 35,8% e a Polícia Militar com 57,4% das vagas previstas.
Infraestrutura, Saneamento e Regularização
Com cerca de 76% da malha rodoviária sem pavimentação, o transporte consome 15,24% do PIB estadual. Em saneamento, Porto Velho figura historicamente entre as piores colocações nacionais, e a estatal Caerd acumulava uma dívida de R$ 1,6 bilhão com o fisco federal em 2024. Uma tentativa de concessão dos serviços no valor de R$ 8,47 bilhões foi cancelada em setembro após infrutífera licitação na B3. Por fim, a regularização fundiária exigirá precisão jurídica e técnica para conciliar conflitos de posse, terras públicas, unidades de conservação e direitos de comunidades tradicionais.