Segunda-feira, 5 de outubro de 2026

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Rondônia em Questão há 38 minutos Redação

Fátima Cleide e Cláudia de Jesus: um novo ciclo para o PT em Rondônia

As urnas mostram que existe espaço para uma esquerda competitiva em Rondônia, mas não autorizam triunfalismo.

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Fátima Cleide e Cláudia de Jesus: um novo ciclo para o PT em Rondônia

A eleição de Fátima Cleide e a reeleição de Cláudia de Jesus fortalecem o Partido dos Trabalhadores em Rondônia. Com 13.868 e 24.383 votos, respectivamente, as duas chegam à próxima legislatura com respaldo popular e o desafio de transformar essa confiança em atuação efetiva na Assembleia Legislativa.

O resultado oferece ao PT a oportunidade de reorganizar sua presença institucional após um período de menor influência no Legislativo estadual. Essa retomada, porém, não será automática. Minoritária, a bancada terá de disputar espaço em uma Casa marcada por alianças pragmáticas, forte influência do governo e predominância de pautas ligadas ao agronegócio, à infraestrutura, à segurança pública e à expansão econômica.

Fátima Cleide retorna ao Legislativo com a experiência de quem representou Rondônia no Senado e construiu uma trajetória ligada à educação e à defesa dos trabalhadores. Cláudia de Jesus, reeleita com votação superior, traz uma base própria e a possibilidade de dar continuidade ao trabalho desenvolvido no primeiro mandato. A coordenação entre as duas será decisiva para que essa força eleitoral se converta em influência política.

O PT não aprovará sozinho sua agenda. Precisará construir pontes para atuar sobre orçamento, investimentos, servidores, políticas sociais e proteção ambiental, negociando sem aderir automaticamente ao governo e mantendo transparência nos acordos. A divisão de responsabilidades, a atuação conjunta nas comissões e o acompanhamento das políticas públicas poderão ampliar a influência da bancada para além de seu tamanho numérico.

O primeiro desafio será fiscalizar a execução do orçamento estadual, acompanhando recursos destinados à saúde, à educação, ao transporte, ao saneamento e à segurança. Também será necessário examinar contratos, renúncias fiscais, endividamento público e a distribuição dos investimentos entre Porto Velho e os municípios do interior.

A bancada deverá ainda disputar o modelo de desenvolvimento de Rondônia. O PT não deve limitar-se à oposição genérica ao agronegócio ou às grandes obras, sob pena de se afastar de setores relevantes da economia e do eleitorado. Ao mesmo tempo, não pode aceitar que o crescimento justifique precarização do trabalho, desmatamento, conflitos fundiários ou ausência de serviços públicos. A alternativa deve combinar produção, regularização fundiária, proteção ambiental, agregação de valor, apoio à agricultura familiar e melhoria da infraestrutura.

Na área social, será preciso defender, na educação, valorização profissional, infraestrutura, transporte, conectividade e permanência dos estudantes. Na saúde, a fiscalização deve alcançar filas, regulação, atendimento regionalizado, hospitais e aplicação dos recursos. Na defesa das mulheres, os mandatos deverão cobrar a expansão da rede de proteção, o atendimento às vítimas de violência e políticas de autonomia econômica, sobretudo nos municípios com serviços insuficientes.

Outro desafio será ampliar a presença do PT fora de Porto Velho. A votação das deputadas precisa ser transformada em organização permanente, com canais de atendimento, audiências no interior, acompanhamento das demandas municipais e formação de novas lideranças. Sem essa capilaridade, o partido continuará dependente de candidaturas individuais e terá dificuldade para renovar seus quadros.

As urnas mostram que existe espaço para uma esquerda competitiva em Rondônia, mas não autorizam triunfalismo. O eleitor pode apoiar candidaturas petistas sem aderir ao partido como organização. A manutenção desse apoio dependerá da capacidade de entregar resultados, comunicar o trabalho realizado e dialogar com problemas cotidianos, como emprego, custo de vida, transporte, saúde e segurança.

O resultado abre espaço para o PT recuperar protagonismo na Assembleia, mas em condições adversas. A bancada terá de combinar oposição responsável, negociação transparente e fiscalização rigorosa, evitando tanto o isolamento quanto a perda de identidade.

Fátima Cleide e Cláudia de Jesus têm a responsabilidade de transformar dois mandatos em uma estratégia política, atuando no plenário, nas comissões e nos municípios; formulando propostas viáveis; acompanhando políticas públicas; e prestando contas à população.

A nova etapa do PT em Rondônia dependerá menos de discursos sobre renovação e mais da capacidade de enfrentar, com resultados verificáveis, os problemas que definem a vida dos rondonienses.

 

Édson Silveira - Advogado, administrador, professor e membro da Executiva Estadual do PT/RO.


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