Centro de Porto Velho sob pressão: comerciantes cobram resposta diante da escalada de furtos
Portas arrombadas, vitrines quebradas e prejuízos sucessivos transformaram a madrugada em motivo de apreensão para empresários; setor levou a cobrança por reforço da segurança ao prefeito Léo Moraes
Quando o comércio fecha as portas, a preocupação de muitos empresários do centro de Porto Velho está apenas começando. A sequência de furtos e arrombamentos registrada na região colocou comerciantes em estado de alerta e reacendeu uma discussão que vai além dos prejuízos materiais: até que ponto a insegurança está comprometendo a atividade econômica e a rotina de quem trabalha no coração da capital de Rondônia?
Diante do aumento das ocorrências, representantes do comércio decidiram levar a reivindicação diretamente ao prefeito Léo Moraes, em uma reunião de urgência realizada nesta segunda-feira, dia 24. O encontro reuniu empresários e representantes de entidades do setor, entre elas a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e a Fecomércio.
O relato apresentado pelos comerciantes é de uma rotina marcada por portas forçadas, vitrines quebradas e estabelecimentos invadidos durante a madrugada. Com as ruas mais vazias e a redução da circulação de pessoas, esse período passou a ser apontado como o mais crítico para os empresários.
O problema, segundo os relatos apresentados na reunião, não se resume ao valor das mercadorias levadas. Há também despesas com a substituição de portas, vidros, fechaduras, equipamentos e sistemas de segurança. Para pequenos e médios comerciantes, cada novo episódio representa uma conta adicional em um cenário no qual os custos de manutenção de uma empresa já são elevados.
A sensação descrita pelos empresários é de que o centro da cidade muda de dinâmica depois que o comércio encerra o expediente. Durante o dia, a região concentra trabalhadores, consumidores e intensa movimentação. À noite, com a redução do fluxo, áreas menos movimentadas se tornam mais vulneráveis à ação de criminosos.
Os comerciantes também manifestaram preocupação com a presença, durante a madrugada, de usuários de drogas e de pessoas em situação de vulnerabilidade que permanecem circulando pela região. A questão, segundo a categoria, exige uma resposta que combine segurança pública, fiscalização e políticas sociais, evitando que o problema seja tratado apenas depois que o crime acontece.
Pressão por presença ostensiva
Na reunião com o prefeito, a principal reivindicação foi por medidas concretas para aumentar a sensação de segurança e dificultar a ação de criminosos, especialmente nos horários considerados mais críticos.
Entre as demandas apresentadas está o reforço da presença dos órgãos de segurança, além de uma atuação coordenada entre as diferentes estruturas responsáveis pela proteção da região central.
Para os empresários, a lógica é simples: quanto maior a presença preventiva e ostensiva nas áreas de maior vulnerabilidade, menor tende a ser o espaço para que criminosos ajam com liberdade.
A cobrança também envolve a necessidade de ações permanentes. Os comerciantes querem evitar que operações pontuais sejam realizadas apenas depois de uma sequência de ocorrências e defendem um planejamento capaz de antecipar os problemas.
O prejuízo que não aparece na contabilidade
O impacto da insegurança não termina no boletim de ocorrência. Cada arrombamento representa horas de trabalho perdidas, interrupção das atividades, despesas inesperadas e, em alguns casos, perda de confiança de funcionários e clientes.
Há ainda um efeito menos visível: o receio de permanecer no estabelecimento até mais tarde, a necessidade de investir continuamente em equipamentos de segurança e a preocupação de empresários que precisam abrir novamente as portas poucas horas depois de um crime.
É justamente por isso que os comerciantes consideram que a questão deixou de ser exclusivamente policial. A segurança do centro passou a ser também uma questão econômica e urbana.
Um centro comercial que perde a sensação de segurança pode perder consumidores, reduzir horários de funcionamento e enfrentar dificuldades para manter novos investimentos. O efeito, portanto, ultrapassa a porta de cada loja e alcança a própria dinâmica da cidade.
Da reunião às providências
A reunião desta segunda-feira colocou o problema oficialmente na mesa do poder público municipal. Agora, a expectativa dos comerciantes é que a mobilização resulte em medidas práticas e coordenadas.
A categoria espera que o encontro não se limite ao registro das reclamações. A cobrança é por planejamento, presença efetiva nas áreas mais vulneráveis e integração entre os órgãos responsáveis pela segurança e pela fiscalização.
Para quem mantém as portas abertas no centro de Porto Velho, a questão é urgente. Vitrines deveriam servir para apresentar produtos, atrair consumidores e movimentar a economia. Não podem continuar sendo, como descrevem os comerciantes, o ponto de partida para contabilizar os estragos deixados pela madrugada.
O recado levado ao prefeito foi direto: o comércio quer trabalhar, investir e manter suas portas abertas, mas precisa ter a segurança como condição básica para continuar funcionando.
Por: Zecca Paim -Jornalista
DRT 1453-RO
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