Sexta-feira, 18 de setembro de 2026

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Opinião há 31 minutos Redação

A campanha mudou de temperatura — e Expedito Netto passou a ser alvo

Nesse cenário, Hildon Chaves e Expedito Netto procuram ampliar seus espaços.

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A campanha mudou de temperatura — e Expedito Netto passou a ser alvo

Quem acompanha eleição apenas pelas pesquisas enxerga números. Quem anda pelas ruas, percorre municípios, conversa com lideranças, militantes, trabalhadores e gente comum também percebe movimentos que nem sempre aparecem imediatamente nas planilhas dos institutos.

Tenho percorrido Rondônia durante esta campanha. E a percepção que trago dessas conversas é de uma eleição muito mais aberta e dinâmica do que alguns gostariam de fazer parecer.

Marcos Rogério mantém uma presença eleitoral consolidada. Nas conversas que tenho acompanhado, entretanto, minha impressão é de estabilidade: não percebo aquele movimento espontâneo de expansão que normalmente acompanha uma candidatura em franca ascensão. Isso não é pesquisa nem pretendo apresentá-lo como tal. É uma leitura política construída no contato diário com as pessoas.

Adailton Fúria vive outro momento. Sua campanha atravessa dificuldades políticas e de articulação, e a sensação percebida nas ruas é diferente daquela existente no início da disputa. Resta saber como sua estrutura reagirá nesta reta da campanha.

Nesse cenário, Hildon Chaves e Expedito Netto procuram ampliar seus espaços.

Hildon possui como ativo sua passagem pela Prefeitura de Porto Velho e uma campanha com recursos para ganhar visibilidade. Seu desafio é ampliar presença no interior e transformar o reconhecimento conquistado na capital em apoio estadual.

E quase ia esquecendo de Pedro Abib, candidato do MDB. Sua candidatura chegou cercada de expectativa, sustentada pela tradição e pela estrutura de um partido que já teve enorme protagonismo na política rondoniense. Mas, na minha percepção de quem está percorrendo o estado, Abib não entregou até aqui aquilo que sua candidatura prometia politicamente. Não conseguiu entrar efetivamente no jogo nem produzir nas ruas a movimentação que se poderia esperar de uma candidatura ao governo apoiada por uma legenda com a história do MDB em Rondônia.

É uma avaliação política, evidentemente, e não uma sentença eleitoral. Mas campanha também é capacidade de ocupar espaços, provocar debate e mobilizar pessoas. Até aqui, nas conversas que tenho mantido pelo estado, Pedro Abib aparece muito menos do que o peso histórico de seu partido poderia sugerir.

Expedito Netto percorre outro caminho.

Tenho acompanhado de perto essa campanha e, por isso mesmo, faço questão de deixar clara minha posição: sou integrante da Executiva Estadual do PT/RO e participo politicamente desse projeto. Minha avaliação, portanto, é assumidamente a visão de alguém que está dentro da campanha, mas também de quem está rodando Rondônia e ouvindo muita gente.

E o ambiente que tenho encontrado mudou.

Netto hoje possui uma campanha mais organizada, presença política em diferentes regiões, militância partidária espalhada pelo estado e um ativo eleitoral importante: é o candidato apoiado pelo presidente Lula em Rondônia.

Não afirmo que isso automaticamente se transformará em determinado resultado eleitoral. Eleição se decide nas urnas. Mas existe um termômetro político que qualquer militante experiente aprende a observar: quando uma candidatura começa a ocupar mais espaço nas conversas e passa a receber ataques mais frequentes dos adversários, alguma coisa no ambiente político mudou.

Até Samuel Costa, com seu estilo fortemente baseado nas redes sociais e na provocação política, passou a direcionar críticas a Netto. Samuel sabe utilizar as ferramentas digitais e consegue gerar repercussão, embora, na minha avaliação pessoal, muitas vezes o excesso de performance prejudique a construção de uma imagem de maior consistência política.

Os ataques fazem parte da democracia e da campanha eleitoral. Netto terá de responder a eles com propostas, organização e presença nas ruas.

Minha percepção, depois de percorrer municípios e conversar com muita gente, é simples: Expedito Netto deixou de ser tratado como candidatura periférica por seus adversários e passou a ocupar espaço maior no debate político.

Não é uma conclusão científica. Não é pesquisa eleitoral. É sentimento de rua — a leitura de quem está andando, conversando, ouvindo e acompanhando a campanha por dentro.

E política também se faz assim.

Os próximos dias mostrarão nas urnas quanto desse sentimento corresponde à vontade efetiva do eleitor rondoniense. Até lá, uma coisa já mudou: a campanha entrou em uma nova temperatura, e Expedito Netto está no centro de uma parcela cada vez maior dessa disputa.

 

Edson Silveira

Advogado, administrador, professor e membro da Executiva Estadual do PT/RO


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