Segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Hora Certa

Saúde agora Redação

Rondônia tem a 2ª maior taxa de hepatite B do Brasil; Porto Velho lidera entre capitais

Dados do Ministério da Saúde mostram taxas de hepatites B e C acima da média nacional

Compartilhar: WhatsApp Facebook X Telegram
Rondônia tem a 2ª maior taxa de hepatite B do Brasil; Porto Velho lidera entre capitais

O Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2026, divulgado pelo Ministério da Saúde, aponta que Rondônia tem a segunda maior taxa de detecção de hepatite B do Brasil, e Porto Velho lidera entre as capitais com as maiores taxas da doença. Em contrapartida, o estado está entre os que registram os menores índices de hepatite A no país.

O levantamento reúne dados registrados entre 2000 e 2025. Nesse período, Rondônia contabilizou 16.086 casos de hepatites virais, considerando os cinco tipos da doença monitorados pelo boletim.

  1. Hepatite A: com 1.830;
  2. Hepatite B, com 11.367;
  3. Hepatites C: com 2.515;
  4. Hepatite D: com 341;
  5. Hepatite E, com 33 casos.


Hepatite A

Os dados apontam um cenário positivo para Rondônia em relação à hepatite A. O estado está entre as unidades da federação com as menores taxas da doença e apresenta uma tendência de queda no número de ocorrências.

Em 2014, Rondônia contabilizou 124 casos. Em 2025, esse total caiu para apenas nove notificações, uma redução de 92% em 11 anos.

Em Porto Velho, a diminuição foi ainda mais expressiva. A capital passou de 111 ocorrências em 2014 para apenas uma em 2025, recuo de 99%.

Segundo a pesquisadora em Saúde Pública da Fiocruz Rondônia, Deusilene Vieira, o resultado pode estar associado aos efeitos acumulados das estratégias de imunização e prevenção adotadas ao longo da última década.

Hepatite B

A hepatite B concentra os indicadores mais altos do levantamento. No último ano analisado, Rondônia somou 406 notificações da doença. O índice alcançou 23,2 casos por 100 mil habitantes, mais de quatro vezes acima da média nacional, que ficou em 5,2 por 100 mil habitantes.

Com esse resultado, o estado aparece na segunda posição entre as maiores taxas de detecção do país.

A situação é ainda mais expressiva na capital. Com 199 casos contabilizados em 2025, Porto Velho alcançou taxa de 38,4 ocorrências por 100 mil habitantes, a mais alta entre todas as capitais brasileiras. Desde o início da série histórica analisada pelo boletim, a cidade acumula 3.253 registros da doença.

Apesar dos índices elevados, Deusilene Vieira afirma que os números não indicam necessariamente um aumento proporcional de novas infecções.

"Esses indicadores também refletem a capacidade da rede de saúde de testar, diagnosticar e notificar pessoas que já vivem com essas infecções, muitas vezes de forma assintomática durante anos", destaca.

Hepatite B em gestantes

Com 16 notificações em 2025, Rondônia registrou taxa de 0,7 caso por mil nascidos vivos. O indicador coloca o estado empatado com Mato Grosso na segunda maior taxa de detecção de hepatite B em gestantes do país, atrás apenas do Acre, que registrou 0,8 caso por mil nascidos vivos.

Ao longo do período analisado, Rondônia acumulou 1.470 notificações da doença entre gestantes.

Hepatite C

Em 2025, o estado contabilizou 201 casos de hepatite C, alcançando taxa de 11,5 ocorrências por 100 mil habitantes. O resultado também supera a média nacional, de 8 casos por 100 mil habitantes.

Em Porto Velho, foram confirmados 123 casos em 2025 e a taxa chegou a 23,8 ocorrências por 100 mil habitantes, uma das mais altas entre as capitais brasileiras.

Hepatite D

Rondônia também figura entre os estados com maior número de registros de hepatite D, conhecida como Delta, infecção associada ao vírus da hepatite B.

Entre 2000 e 2025, foram contabilizados 341 casos da doença. O número coloca o estado na terceira posição nacional, atrás apenas do Amazonas, com 1.883 registros, e do Acre, com 1.062.

Embora o histórico seja expressivo, os dados mais recentes apontam forte redução na circulação do vírus. O total de notificações caiu de 56 em 2024 para apenas uma em 2025, redução de 98%.

Na avaliação da pesquisadora Deusilene Vieira, a redução dos casos de hepatite Delta pode ser compreendida dentro do conjunto de ações de prevenção, vigilância e ampliação do diagnóstico. Como o vírus da hepatite D (HDV) depende do vírus da hepatite B (HBV), a vacinação contra a hepatite B também previne a hepatite Delta.

Outro avanço é a oferta, pelo SUS, do teste molecular para detectar a carga viral da hepatite D, desenvolvido pelo laboratório da Fiocruz Rondônia. O exame permite confirmar a infecção ativa e auxilia no acompanhamento dos pacientes.

Hepatite E

Entre todas as variantes analisadas, a hepatite E apresenta o menor número de ocorrências em Rondônia. Foram 33 registros entre 2000 e 2025. Segundo o Boletim Epidemiológico, trata-se da hepatite menos frequente na rotina de vigilância.

Fonte: G1.




Jornal Rondônia em Questão
Editorias & Seções