RESGATE REVELA FRAGILIDADE NA PROTEÇÃO DE IDOSOS EM PORTO VELHO
Treze pessoas são retiradas de instituição irregular na zona Leste após denúncia; três foram detidas e rede municipal de proteção assumiu imediatamente o acolhimento
Uma denúncia levou policiais civis e órgãos da rede de proteção social a uma instituição de acolhimento que funcionava de maneira irregular na zona Leste de Porto Velho. A operação resultou no resgate de 13 idosos, encontrados em condições consideradas precárias, além da detenção de três pessoas durante a ocorrência.
A ação foi realizada na rua Boiçucanga, no bairro São Francisco, e reuniu policiais civis do 8º Distrito Policial, agentes da Secretaria Municipal de Inclusão e Assistência Social (Semias), representantes do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa (Compi) e policiais militares. A mobilização ocorreu depois que chegaram às autoridades denúncias sobre possíveis violações dos direitos das pessoas acolhidas.
Segundo a delegada Fabiana Moreira, do 8º DP, as equipes encontraram um cenário marcado por condições precárias e pela convivência, no mesmo espaço, de pessoas com diferentes necessidades.
O episódio expõe um dos pontos mais sensíveis da rede de proteção à população idosa: a existência de estabelecimentos que oferecem acolhimento sem atender às exigências necessárias para garantir segurança, assistência e dignidade aos residentes.
ACOLHIMENTO IMEDIATO
Após a retirada dos idosos, a Semias mobilizou suas equipes para assegurar atendimento emergencial. Os 13 idosos foram encaminhados para uma instituição regular e referenciada, onde passaram a receber alimentação, acompanhamento e os cuidados necessários.
A presidente do Compi, Denise Oliveira, ressaltou que a denúncia teve papel decisivo para que os órgãos de proteção pudessem chegar ao local e identificar a situação.
Para ela, a comunicação de casos suspeitos às autoridades é fundamental para localizar instituições que funcionam à margem das normas e permitir uma intervenção capaz de preservar os direitos das pessoas idosas.
“A denúncia é muito importante porque permite identificar instituições que estejam atuando de forma irregular”, afirmou Denise. Segundo a presidente do conselho, a partir da ação foi possível retirar os idosos do ambiente e encaminhá-los para um acolhimento adequado, com preservação de seus direitos.
UMA AÇÃO INTEGRADA
O secretário municipal de Inclusão e Assistência Social, Paulo Afonso, destacou que a atuação coordenada entre os diferentes órgãos foi determinante para o resultado da operação.
De acordo com o secretário, técnicos da pasta prestaram assistência imediata aos idosos, que agora estão em uma instituição regular, com alimentação e atendimento.
“O mais importante é que conseguimos oferecer um atendimento digno e restaurar direitos que precisam ser garantidos”, declarou.
A operação também foi destacada pelo prefeito Léo Moraes como exemplo da integração entre os setores de segurança pública e assistência social.
Para o prefeito, a chamada Atividade Delegada não se limita às ações de segurança, podendo também cumprir papel relevante na proteção de pessoas em situação de vulnerabilidade.
“A denúncia recebeu uma resposta, os idosos foram retirados daquela situação e nossa rede entrou imediatamente para garantir acolhimento e dignidade”, afirmou.
DENÚNCIA É INSTRUMENTO DE PROTEÇÃO
O caso reforça a importância da participação da sociedade na identificação de situações que possam representar risco à população idosa.
Maus-tratos, abandono, exploração financeira e outras formas de violação de direitos podem ser comunicados às autoridades policiais ou por meio do Disque 100, canal nacional destinado ao recebimento de denúncias relacionadas a violações de direitos humanos.
Em Porto Velho, a ocorrência envolvendo os 13 idosos mobilizou diferentes estruturas do poder público e terminou com a retirada das vítimas do local e o encaminhamento para uma instituição regularizada.
Mais do que uma operação policial, o episódio evidencia a importância de uma rede de proteção capaz de transformar uma denúncia em resposta concreta — especialmente quando estão em jogo pessoas que, pela idade e pelas condições de vulnerabilidade, dependem diretamente da atuação do Estado para ter seus direitos preservados.
Por: Zecca Paim- Jornalista
DRT 1453/RO