Quem é Nelson Wilians, advogado alvo de operação da Polícia Federal
Fundador de um dos maiores escritórios de advocacia do país acumula histórico de investigações tributárias e financeiras
A Polícia Federal deflagrou a Operação Arena, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal relacionado à exploração de jogos de azar e apostas esportivas (bets). Entre os alvos das medidas de busca e apreensão está o advogado Nelson Wilians, cuja residência em São Paulo foi vistoriada por agentes federais após autorização da 4ª Vara Federal da Paraíba.
A decisão judicial também determinou o bloqueio de bens e valores de até R$ 1,1 bilhão dos envolvidos.
A operação representa mais um desdobramento na trajetória do advogado, que comanda uma das maiores estruturas jurídicas do Brasil e tem sido foco de recentes investigações de grande repercussão.
O que é a Operação Arena e a relação com as "bets"
A investigação conduzida pela Polícia Federal, em parceria com a Receita Federal e o Ministério Público Federal, apura se o grupo empresarial investigado utilizou estruturas societárias no Brasil e no exterior para ocultar recursos de apostas. O principal alvo da ação é a plataforma PixBet, ex-patrocinadora de clubes de futebol.
De acordo com a PF, Nelson Wilians atua como defensor da PixBet em uma ação judicial que tramita na Justiça Federal da Paraíba. Os investigadores identificaram repasses financeiros atípicos entre a PixBet e a PixStar, apontada como uma empresa de fachada sediada na ilha de Curaçao, no Caribe.
O cruzamento de dados feito pela Receita Federal aponta que o fluxo financeiro do grupo envolvia transações em criptomoedas remessas internacionais sem lastro econômico compatível e o uso de intermediadores de pagamento para dificultar o rastreamento dos reais beneficiários dos recursos.
Histórico recente de investigações e apreensões
Esta não é a primeira vez que Nelson Wilians entra na mira de operações policiais. O advogado possui um histórico recente de investigações criminais e fiscais:
- Fraude no ICMS (Operação Distrato): Em julho de 2026, Wilians e seu grupo econômico foram alvos de buscas em uma operação do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de São Paulo (Cira-SP). A apuração investiga uma suposta comercialização fraudulenta de créditos de ICMS que teria gerado um prejuízo estimado em R$ 3,8 bilhões aos cofres paulistas.
- Fraudes no INSS (Operação Sem Desconto): Em setembro de 2025, o advogado foi alvo de buscas em uma investigação sobre descontos indevidos em aposentadorias. Na ocasião, a PF apreendeu bens de luxo em seus endereços, incluindo uma Ferrari F8, uma réplica de carro de Fórmula 1, obras de arte e relógios. O Coaf reportou movimentações suspeitas de R$ 4,3 bilhões ligadas ao escritório do advogado entre 2019 e 2023. Uma comissão parlamentar chegou a aprovar o pedido de prisão preventiva do advogado, que não foi autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Perfil: Da origem humilde ao topo da advocacia nacional
Natural de Cianorte, no Paraná, Nelson Wilians Fratoni Rodrigues é filho de pequenos agricultores e iniciou sua carreira após se formar em Direito na cidade de Bauru, no interior paulista. Em 1999, fundou o escritório Nelson Wilians Advogados (NWADV).
A banca expandiu e passou a operar filiais em todas as capitais brasileiras, consolidando-se como o maior escritório de advocacia do país em número de profissionais. O escritório atua no modelo full service, gerenciando centenas de milhares de processos ativos para cerca de 20 mil clientes corporativos.
Além da atuação empresarial, Wilians ganhou projeção pública ao estampar a capa da revista Forbes e ao representar clientes em disputas de alta visibilidade nacional, como o caso da herança do apresentador Gugu Liberato.
O posicionamento da defesa
Em nota oficial sobre a Operação Arena, o advogado Santiago Schunck, representante de Nelson Wilians, afirmou que a relação entre o escritório e a PixBet é "estritamente profissional e decorre da prestação de serviços de advocacia".
A defesa enfatizou que a atuação dos profissionais limita-se ao exercício regular do direito e não deve ser confundida com as atividades de seus clientes, repudiando qualquer tentativa de criminalizar a advocacia.
Nas investigações anteriores, a assessoria do advogado também negou qualquer envolvimento em irregularidades, afirmando que as movimentações financeiras de suas empresas são inteiramente lícitas, declaradas e compatíveis com seu porte empresarial.
Beto Souza, da CNN Brasil, em São Paulo