Pedágio da BR-364 vira exemplo de alerta de Luciana Oliveira: “Rondônia precisa de bancada que dialogue com Lula”
Candidata ao Senado cita R$ 11,3 bilhões do Novo PAC relacionados a Rondônia, usa pedágio da BR-364 como exemplo de falta de articulação e defende presença política permanente do estado em Brasília
A candidata ao Senado Federal pelo PT, Luciana Oliveira, criticou a relação de confronto mantida por integrantes da bancada federal de Rondônia com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e afirmou que o estado precisa de uma representação capaz de defender suas posições sem fechar as portas do governo federal.
Para Luciana, divergências partidárias não podem se transformar em isolamento político quando estão em jogo investimentos, obras e decisões que afetam diretamente a população. A candidata sustenta que deputados e senadores precisam manter capacidade de diálogo, cobrança e negociação independentemente de quem ocupe a Presidência da República.
“A bancada de Rondônia virou as costas para o presidente Lula, sem se importar com os prejuízos que esse confronto permanente poderia trazer para o nosso estado. Mas o presidente Lula não virou as costas para Rondônia”, afirmou.
Luciana cita os números do Novo PAC para sustentar a afirmação. O relatório estadual registra R$ 11,3 bilhões em investimentos relacionados a Rondônia. São R$ 7 bilhões diretamente no estado e R$ 4,3 bilhões em projetos regionais. Do total, R$ 6,6 bilhões estão previstos entre 2023 e 2026 e R$ 4,7 bilhões para o período posterior a 2026.
Os investimentos alcançam diferentes áreas. O levantamento inclui recursos para abastecimento de água, drenagem, esgotamento sanitário, regularização fundiária, creches, escolas em tempo integral, transporte escolar, saúde, habitação e infraestrutura. Na saúde, estão relacionadas maternidade, unidades básicas, ambulâncias do Samu, equipamentos para teleconsulta e uma policlínica.
“Mesmo com toda a hostilidade política, o governo Lula continuou olhando para Rondônia. No Novo PAC, são R$ 11,3 bilhões em investimentos relacionados ao estado, sendo R$ 7 bilhões diretamente em Rondônia. É saúde, educação, moradia, saneamento, infraestrutura. Agora imagine o quanto poderíamos avançar se tivéssemos uma bancada que, em vez de gastar energia brigando com o presidente, estivesse sentada à mesa cobrando, negociando e abrindo caminhos para o nosso povo”, disse Luciana.
A BR-364 entrou na discussão como um dos exemplos utilizados pela candidata. Luciana vem criticando os valores do pedágio e a reação tardia de parlamentares ao processo de concessão da rodovia. Para ela, decisões dessa dimensão exigem acompanhamento político desde as primeiras etapas, antes que seus efeitos cheguem ao bolso da população.
“O pedágio está aí para mostrar o preço que se paga quando falta presença política. Uma bancada tem que acompanhar, pressionar, conversar com o governo, buscar alternativas e tentar interferir enquanto ainda existe espaço para isso. Não adianta deixar o processo andar e aparecer no final fazendo barulho, quando o problema já está na porta da casa do cidadão”, afirmou.
A candidata também faz uma distinção entre diálogo e submissão. Luciana afirma que manter relação institucional com o governo federal não significa concordar com todas as decisões tomadas em Brasília. Para ela, o parlamentar precisa ter independência para votar e cobrar, mas sem transformar diferenças ideológicas em obstáculo para Rondônia.
“Eu não preciso concordar com tudo para conversar. Se uma decisão for boa para Rondônia, vou ajudar a trazer. Se estiver errada, vou cobrar, pressionar e lutar para mudar. O que eu não vou fazer é transformar o presidente da República em inimigo e deixar o nosso estado pagando a conta dessa briga”, declarou.
A postura acompanha outros posicionamentos apresentados por Luciana durante a campanha. Ao abordar a votação sobre o fim da escala 6x1 na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, a candidata afirmou que jamais se colocaria contra os trabalhadores e trabalhadoras.
A mesma firmeza foi defendida em temas relacionados ao meio ambiente e aos povos da floresta. Luciana citou o marco temporal e o licenciamento ambiental ao afirmar que não apoiará medidas que considere prejudiciais aos direitos dessas populações ou à proteção ambiental.
Para a candidata, essas posições não impedem a construção de uma relação produtiva com o Poder Executivo. Luciana defende um Senado que fiscalize e cobre o governo, mas que também utilize sua força política para aproximar Rondônia dos ministérios e dos grandes programas federais.
“Brigar por Rondônia é uma coisa. Brigar com o presidente da República só por disputa política é outra. Eu quero brigar por Rondônia. Quero chegar aos ministérios, cobrar recursos, apresentar projetos, discutir nossos problemas e trazer resultados. Foi para isso que o povo elegeu seus representantes”, afirmou.
Luciana também rejeita a ideia de que a atuação parlamentar possa ser resumida à destinação de emendas. Para ela, uma senadora precisa participar das grandes discussões que envolvem infraestrutura, desenvolvimento econômico, políticas sociais, crédito, saúde e educação, além de acompanhar antecipadamente decisões que possam afetar o estado.
Essa atuação passa, segundo a candidata, por fazer Rondônia participar das decisões nacionais antes que elas estejam concluídas.
“Rondônia não pode aparecer em Brasília só depois que o problema aconteceu. Tem que estar lá antes, acompanhando, propondo, negociando. É essa presença que faz diferença.”
A relação com Lula ocupa posição central nessa proposta. Luciana é candidata pelo mesmo partido do presidente e afirma que esse alinhamento pode ser convertido em maior capacidade de interlocução para Rondônia, sem abrir mão da independência necessária ao mandato.
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