Luciana Oliveira denuncia intimidação durante campanha nas estradas e pede ação contra violência política em Rondônia
Candidata ao Senado relata abordagens motivadas por adesivos de Lula e do PT, relembra ameaça de morte sofrida na pré-campanha e cobra dos órgãos competentes ações de prevenção e responsabilização
A candidata ao Senado Federal pelo PT, Luciana Oliveira, divulgou um vídeo em que relata uma sequência de episódios de hostilidade e intimidação durante deslocamentos de campanha pelo interior de Rondônia. Segundo ela, as situações têm ocorrido principalmente em razão dos adesivos políticos colocados no veículo utilizado pela equipe e das camisetas que veste durante a agenda eleitoral.
No registro, Luciana reúne imagens gravadas durante viagens, uma abordagem ocorrida em uma parada de estrada e uma situação encontrada em um hotel. A candidata também relembra a ameaça de morte recebida pelas redes sociais ainda na pré-campanha e afirma que passou a viajar acompanhada de segurança.
“Eu sou a Luciana Oliveira. Estou em campanha como senadora do Lula em Rondônia. E vou mostrar como tem sido difícil e perigoso fazer minha campanha”, afirma na abertura da gravação.
Luciana diz que os problemas começaram antes mesmo do período atual de campanha. Segundo ela, ainda na pré-campanha foi alvo de ameaça de morte nas redes sociais. O episódio já havia sido relatado publicamente pela candidata: em entrevista concedida em agosto, ela afirmou ter recebido uma mensagem com a frase “você vai morrer, está avisada”. A denúncia também havia motivado manifestação da Associação Brasileira de Imprensa, que, em 8 de maio, repudiou ataques contra a jornalista e afirmou que as agressões haviam avançado para ameaças explícitas de morte.
No novo vídeo, Luciana afirma que, com o avanço da campanha pelas rodovias do estado, a hostilidade passou a ocorrer também presencialmente.
“Agora, por conta dos adesivos do meu carro, das camisetas que eu uso, eu tenho sofrido abordagens intimidatórias constantes nas estradas. Algumas evoluem para ameaças explícitas”, declara.
A candidata apresenta, então, uma gravação feita durante uma parada para beber água. Ela relata que um homem se aproximou do grupo após identificar a propaganda política no veículo. Luciana o descreve como caminhoneiro e afirma que ele passou a atacar verbalmente Lula, o PT e a presença da campanha no local.
“O caminhoneiro se aproximou do nada para ofender Lula, o meu partido, e me alertar de que eu não sou bem-vinda na minha terra, aqui onde eu nasci”, relata.
Na gravação realizada no local, a candidata reage ao episódio e afirma que respeita as escolhas políticas de outras pessoas, mas considera inaceitável a transformação da divergência partidária em provocação pessoal.
“Gente, paramos aqui agora para beber uma água. E olha só que absurdo a intolerância das pessoas. A gente respeita o partido de todo mundo, mas aí vem um abençoado para poder procurar confusão aqui com a gente”, afirma.
Em determinado momento, o homem aparece dizendo “Fora, Satanás!”. Luciana responde classificando o comportamento como demonstração de raiva e dificuldade de convivência democrática.
“É isso que eles são, né? Pessoas raivosas que não sabem conviver com a democracia”, diz.
A candidata afirma que o episódio não teria sido isolado. Segundo seu relato, situações semelhantes vêm se repetindo durante viagens pelo interior.
“E onde eu estou indo, eu estou sofrendo essas abordagens horrorosas, igual desse homem. Assim, como dele e de outros”, afirma.
Luciana também revela que passou a realizar os deslocamentos acompanhada de segurança. A medida, segundo ela, está relacionada tanto ao histórico de ameaças recebidas quanto à exposição eleitoral do veículo.
“Estou andando com segurança porque meu carro está com adesivo do presidente Lula”, explica.
Ao mencionar viagens recentes a Guajará-Mirim e Nova Mamoré, a candidata afirma que a própria colocação de adesivos políticos passou a ser tratada por integrantes do grupo como uma demonstração de disposição para assumir publicamente a preferência eleitoral.
“Nós fomos para Guajará e para Nova Mamoré. Pegamos uma turma boa para ter coragem de adesivar e, sabe, se defender, se preciso”, afirma.
Outro trecho do vídeo foi registrado no corredor de um hotel do interior. Luciana mostra as portas numeradas dos quartos 11 e 12 e, em seguida, chega ao quarto seguinte. O número 13 aparece coberto por uma bandeira do Brasil.
“Isso é uma cena comum em vários hotéis do interior do estado. Aqui tem o quarto onze. Vem. Aqui tem o quarto doze. Agora olha o que tem no quarto treze. O número treze está coberto pela bandeira do Brasil”, relata.
A candidata utiliza a imagem como mais um exemplo do ambiente político que afirma encontrar durante a campanha. Ao final do vídeo, relaciona os episódios à intolerância e à violência política contra mulheres candidatas.
“São várias situações que revelam intolerância e violência contra uma mulher que está em campanha política”, afirma.
Luciana pede diretamente a atuação de órgãos ministeriais e defende a realização de campanhas institucionais contra a intolerância política.
“Eu peço que os órgãos ministeriais façam uma campanha contra essa intolerância política”, diz.
A legislação eleitoral brasileira prevê mecanismos específicos de proteção à participação política das mulheres. O Tribunal Superior Eleitoral define violência política contra a mulher como ação, conduta ou omissão destinada a impedir, obstaculizar ou restringir seus direitos políticos. O Código Eleitoral também tipifica situações de assédio, constrangimento, humilhação, perseguição ou ameaça contra candidatas quando associadas a menosprezo ou discriminação relacionados à condição de mulher, raça ou etnia e destinadas a dificultar a campanha.
Isso não significa que todo episódio de hostilidade política seja automaticamente enquadrado nesse crime específico: a caracterização jurídica depende das circunstâncias, da motivação e da análise das autoridades competentes. O Ministério Público Eleitoral informou, entretanto, que o enfrentamento à violência política de gênero é uma das prioridades nas eleições de 2026 e orientou procuradores e promotores a darem prioridade a notícias dessa natureza, com preservação de provas e adoção de medidas de proteção quando cabíveis.
Luciana relata, por fim, ter enfrentado características históricas do fascismo. A comparação é apresentada como avaliação política da própria candidata, que cita autoritarismo, nacionalismo extremo, rejeição ao pluralismo e legitimação da violência entre os elementos que considera presentes nesse tipo de comportamento.
Ela reforçou, portanto, a cobrança por responsabilização. “A intolerância política é algo abominável que deve ser denunciada e punida”, escreveu.
A candidata também afirma que não pretende recuar da campanha nem esconder sua vinculação com o presidente Lula ou com o PT por medo de hostilidade.
O posicionamento mantém uma linha que Luciana já havia apresentado publicamente depois das ameaças recebidas durante a pré-campanha. Em entrevista concedida em agosto ela afirmou que os ataques não alterariam sua disposição de continuar na disputa e declarou: “Eu não vou me vender e não vou me render”.
No vídeo divulgado agora, a candidata transforma os episódios registrados durante a viagem em uma defesa do direito de candidatos e eleitores manifestarem suas posições políticas sem medo de agressões ou intimidação.
A mensagem central é de que a divergência eleitoral deve permanecer dentro dos limites da convivência democrática. Para Luciana, adesivar um veículo, utilizar uma camiseta partidária ou manifestar apoio a um candidato não pode ser tratado como justificativa para abordagens hostis.
Ao levar o relato às redes sociais, ela também procura chamar atenção para a necessidade de que instituições, partidos e a própria sociedade tratem a violência e a intimidação política como problemas que ultrapassam uma candidatura específica.
“Vou me eleger e provar que política não é lugar para intolerância e muito menos violência”, escreveu.
Lula é candidato à reeleição à Presidência da República com o número 13; Expedito Netto, candidato ao Governo de Rondônia com o número 13; e Luciana Oliveira, candidata ao Senado Federal com o número 133.