Igreja evangélica proíbe ‘cura gay’ e autoriza pessoas LGBTQIAPN+ como pastores e membros em assembleia
Decisão da Igreja Presbiteriana Unida garante autonomia às comunidades locais e veda 'cura gay' e discursos de ódio no ambiente religioso
Publicado em 24/07/2026 17:27
A Igreja Presbiteriana Unida (IPU) aprovou uma decisão considerada histórica durante sua Assembleia Geral, realizada entre os dias 17 e 19 de julho, em Salvador (BA). A denominação passará a permitir que pessoas LGBTQIAPN+ sejam recebidas como membros de suas comunidades e, caso atendam aos critérios estabelecidos pela igreja, também possam exercer o ministério pastoral.
A deliberação foi aprovada pelos representantes da denominação após um processo de debates iniciado em 2023, quando foi criada uma Comissão Especial para Assuntos de Gênero. O grupo reuniu integrantes da comunidade LGBTQIAPN+, representantes de presbitérios e pastores que celebram casamentos entre pessoas do mesmo sexo, além de analisar documentos oficiais e promover encontros com lideranças locais.
De acordo com o relatório aprovado, a medida não altera a doutrina da IPU nem obriga todas as congregações a adotarem uma única posição. O texto estabelece diretrizes que reconhecem a possibilidade de inclusão de pessoas LGBTQIAPN+ tanto na membresia quanto na liderança pastoral, respeitando os critérios da própria igreja para o exercício do ministério.
A assembleia também aprovou princípios mínimos que deverão orientar as igrejas locais. Entre eles estão a proibição de discursos de ódio, práticas discriminatórias e qualquer forma de violência simbólica, espiritual ou psicológica contra pessoas homoafetivas.
O documento ainda rejeita iniciativas conhecidas como “cura gay”, prática amplamente contestada por entidades médicas e psicológicas e sem reconhecimento científico.
A decisão evidencia a existência de diferentes interpretações dentro da Igreja Presbiteriana Unida sobre o tema, que vão desde posições mais conservadoras até perspectivas inclusivas, marcando um novo capítulo no debate sobre acolhimento e participação da população LGBTQIAPN+ no contexto religioso brasileiro.