Filhos do Boto: novo projeto cinematográfico do O Imaginário investiga a relação entre a lenda amazônica e a violência contra mulheres ribeirinhas
Documentário será realizado em mais de 10 comunidades do Baixo Madeira, entre Porto Velho (RO) e Humaitá (AM), e propõe uma reflexão sobre como a lenda do Boto se relaciona com questões sociais e violências de gênero na região.
O Imaginário iniciou, nesta semana, os estudos de pré-produção de “Filhos do Boto”, novo projeto cinematográfico que será realizado em comunidades ribeirinhas do Baixo Madeira, entre os estados de Rondônia e Amazonas. O documentário terá como ponto de partida uma das narrativas mais conhecidas da cultura amazônica: a lenda do Boto.
A produção pretende investigar como essa tradição influencia o imaginário e o modo de vida das comunidades ribeirinhas, estabelecendo um diálogo entre o mundo real e o universo dos encantados. A partir dessa perspectiva, o filme propõe uma reflexão sobre questões sociais presentes na região Norte, especialmente as violências cometidas contra meninas e mulheres.
Com previsão de alcançar mais de 10 comunidades ribeirinhas, no percurso entre Porto Velho (RO) e Humaitá (AM), “Filhos do Boto” pretende ouvir moradores e registrar histórias, memórias e diferentes percepções sobre a permanência da lenda no cotidiano amazônico.
O documentário busca lançar luz sobre uma dimensão pouco discutida da narrativa do Boto: sua possível utilização, ao longo de gerações, como explicação simbólica para situações de abuso e violência sexual envolvendo mulheres e meninas ribeirinhas. Ao aproximar o universo mítico das experiências concretas vividas nas comunidades, “Filhos do Boto” pretende dar voz a mulheres e meninas cujas histórias foram historicamente atravessadas pelo silêncio, pelo medo e pela naturalização da violência.
A produção também propõe uma reflexão sobre os impactos de uma cultura patriarcal na perpetuação dessas violências e sobre os mecanismos sociais que contribuem para seu encobrimento. Nas águas e comunidades do Rio Madeira, o filme pretende confrontar diferentes perspectivas sobre uma tradição que faz parte da identidade cultural amazônica, buscando compreender seus significados e suas relações com questões sociais contemporâneas.
Mais do que registrar uma lenda, “Filhos do Boto” pretende utilizar o cinema como ferramenta de investigação, memória e reflexão sobre as relações entre cultura, território, gênero e violência na Amazônia.
A realização do projeto marca mais uma iniciativa do O Imaginário voltada à valorização das narrativas amazônicas e à utilização do audiovisual como instrumento de registro, reflexão e transformação social.
