Sexta-feira, 14 de agosto de 2026

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Saúde há 39 minutos Redação

Estudo do GHC mostra que 84% dos diagnósticos tardios de HIV eram em heterossexuais

Pesquisa, em parceria com Escola de Medicina David Geffen da Universidade da Califórnia, aponta limites da testagem baseada em grupos de risco e defende ampliar rastreamento do vírus

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Estudo do GHC mostra que 84% dos diagnósticos tardios de HIV eram em heterossexuais

Um estudo realizado no Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre, revela que 84% dos pacientes que só descobriram ter HIV quando a infecção já estava em estágio avançado eram heterossexuais. A pesquisa analisou 1.615 pacientes atendidos no Hospital Nossa Senhora da Conceição entre 2015 e 2024 em estado grave de saúde relacionado ao vírus. Desse total, 407 (25%) receberam o diagnóstico de HIV pela primeira vez durante a própria hospitalização.

Entre os recém-diagnosticados, 49% eram homens heterossexuais, a maioria empregados, casados ou em união estável e com filhos. As mulheres heterossexuais representavam 35% do total, também com filhos. Já as pessoas de minorias sexuais ou de gênero correspondiam a apenas 10%, embora sejam tradicionalmente o principal público de ações de prevenção e rastreamento do HIV.

Além disso, apenas 24% dos pacientes apresentavam algum dos fatores de risco comumente usados para orientar a testagem, como uso de crack ou cocaína, de drogas injetáveis, situação de rua, histórico de encarceramento ou trabalho sexual. Ou seja, os outros 76% não tinham nenhum desses fatores documentados.

O estudo sugere que a lógica das políticas de testagem, embora importante, não é suficiente. Isso porque priorizam grupos considerados de risco, como homens que fazem sexo com homens, pessoas trans, usuários de drogas e profissionais do sexo. Para os pesquisadores, a diversidade de perfis encontrada entre os pacientes que chegaram ao hospital já em estágio avançado mostra que, a depender da triagem por grupo de risco, pode deixar de fora uma parte significativa de pessoas com HIV, o que reforça a necessidade de ampliar a testagem.

A partir das conclusões do levantamento, os investigadores defendem a ampliação de estratégias de testagem que não dependam do paciente se encaixar em um perfil de risco, entre elas:

  1. Testagem de rotina do tipo “opt-out”, oferecido a todos e que pode ser recusado, ao invés de precisar pedir;
  2. Testagem baseada em sintomas;
  3. Autoteste e testagem em farmácias.

A pesquisa foi conduzida por pesquisadores da Escola de Medicina David Geffen da Universidade da Califórnia, dos Estados Unidos, em parceria com a equipe do hospital, contando com financiamento do Instituto Nacional de Saúde Mental, também dos EUA. Os dados integram um trabalho publicado na revista científica AIDS Research and Treatment.

Ainda segundo os pesquisadores, por ser um estudo em um único hospital, os resultados podem refletir casos mais graves e não necessariamente o que ocorre em postos de saúde ou na comunidade. Além disso, como os dados têm origem em prontuários e fichas de triagem, informações sensíveis como uso de drogas, orientação sexual ou situação de rua podem estar subnotificadas, já que dependem do quanto o paciente se sentiu à vontade para compartilhá-las.



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