Quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Hora Certa

Polícia há 41 minutos Redação

Escritório de Nelson Wilians recebeu R$ 37 milhões de offshore, diz PF

O advogado Nelson Wilians é alvo de uma investigação da PF por um esquema bilionário de lavagem de dinheiro e evasão fiscal

Compartilhar: WhatsApp Facebook X Telegram
Escritório de Nelson Wilians recebeu R$ 37 milhões de offshore, diz PF

O escritório de advocacia de Nelson Wilians recebeu mais de R$ 37 milhões de uma empresa considerada “fantasma” pela Polícia Federal (PF) de acordo com investigação que mira o advogado e ao menos outros 20 alvos, entre pessoas físicas e jurídicas, por lavagem de dinheiro e evasão fiscal.

Wilians foi alvo de busca e apreensão na mansão em que mora em São Paulo, na manhã desta quinta-feira (13/8). Ele é acusado de ser um dos principais beneficiários em uma esquema de lavagem de dinheiro de apostas ilegais que movimentou mais de R$ 1,5 bilhão.

O escritório do advogado era utilizado para ocultação de patrimônio e reintrodução de valores na engrenagem criminosa sob o pretexto de prestação de serviços advocatícios, apontou a PF.

De acordo com a investigação, o escritório Nelson Wilians Advogados era o destinatário de 15 notas emitidas pela Pix Star Brasilian N.V., offshore sediada em Curaçao. Os documentos totalizam aproximadamente R$ 37.824.000,00.

Para a PF, a Pix Star é uma “empresa fantasma” ou “offshore” utilizada unicamente para dar aparência de legalidade à reintrodução de grandes somas de dinheiro no Brasil.

Sob a máscara da advocacia, esses pagamentos não teriam suporte material, segundo os investigadores. A investigação apontou que os serviços advocatícios descritos nas notas não teriam sido efetivamente prestados. Os valores, portanto, eram definidos de forma arbitrária para atender à necessidade de formação de caixa do grupo criminoso.

A defesa de Willian afirmou que ainda não teve acesso aos autos e, portanto, desconhece as informações apresentadas.

“Desde já, contudo, enfatizamos que nossa relação com a PixBet é estritamente profissional, decorrente da prestação de serviços jurídicos, e que atuamos exclusivamente no exercício regular da advocacia. Não há absolutamente nada de irregular nisso”, disse. em nota.

Idas e vindas financeiras

O dinheiro do esquema bilionário era evadido do Brasil para dar uma aparência de legalidade à exploração de apostas esportivas. Como a prática era considerada irregular no país até o início de 2025, os envolvidos enviaram os valores para empresas no exterior, argumentando que a atividade era exercida fora do território nacional, somente onde era permitido.

Segundo a PF, essas empresas, criadas em Curaçao e na Costa Rica, eram de fachada e foram instituídas somente para dar legalidade ao esquema. Elas figuravam como as operadoras oficiais dos sites de apostas, mas a operação real (física e financeira) ocorria no Brasil.

Esse capital retornava a contas brasileiras com aparência de lucro legítimo por meio de contratos de prestação de serviços simulados – como os serviços de advocatícia supostamente prestados pelo escritório NW.

A Receita Federal estima que o grupo movimentou US$ 271,5 milhões, ou quase R$ 1,5 bilhão, somente em atos de evasão de divisas nos últimos cinco anos. O grupo teria investido ao menos R$ 30 milhões em outorgas federais para tornar a operação legal.

Devido a essa dimensão, a Justiça determinou o sequestro de bens e ativos financeiros dos investigados até o limite de pouco mais de R$ 1 bilhão.

O que diz a defesa de Nelson Wilians

Em nota, o advogado Santiago Schunck, que representa Nelson Wilians, afirmou que ainda não teve acesso aos autos, por isso ainda desconhece os detalhes da investigação.

Contudo, ele assegura que a relação com a empresa Pix Bet “é e sempre foi de cunho estritamente profissional, com efetiva prestação de serviços jurídicos, com a devida emissão de mistas fiscais”.

“Vale lembrar que a empresa pagadora dos honorários – e apontada como fantasma – é a mesma que celebrou contrato de patrocínio com grandes times de futebol brasileiros e emissoras de TV. Há a necessidade de cautela para não confundir a atividade jurídica com a atividade empresarial dos seus clientes”, diz o texto.


Por: Milena Vogado, Ramiro Brites/Metrópoles




Jornal Rondônia em Questão
Editorias & Seções