Dólar cai 0,59% e vai a R$ 5,691; Bolsa fica estável
Dólar caiu e Bolsa ficou estável com expectativa por acordo comercial entre EUA e China
O dólar tinha queda firme ante o real e a Bolsa rondava a estabilidade nesta quinta-feira (20), à medida que os investidores monitoram um possível acordo comercial entre os Estados Unidos e a China para dar fim à guerra de tarifas. Novas ameaças do presidente Donald Trump ainda seguem no radar.
Às 14h47, a divisa dos EUA caía 0,59%, a R$ 5,691 na venda, após fechar com forte alta de 0,65%, cotada a R$ 5,725, na véspera.
Já a Bolsa oscilava 0,01% para baixo, aos 127.298 pontos, no mesmo horário. As ações da Vale eram o destaque positivo, enquanto as ações do Banco do Brasil puxavam o índice para baixo após balanço do quarto trimestre ser divulgado. Na quarta-feira (19), fechou com queda de 0,95%, aos 127.308 pontos.
Os mercados pelo mundo reagiam à fala de Trump de que é "possível" chegar a um acordo comercial com a China, alvo chave de sua política tarifária, à qual já impôs tarifas adicionais de 10% sobre todos os produtos.
Da última vez que o presidente mencionou um acordo do tipo com Pequim, os mercados financeiros reagiram imediatamente e o dólar caiu para o seu nível mais baixo em um mês na comparação com uma cesta de moedas de outros países.
A queda do dólar nesta sessão seguia uma tendência de desvalorização global, num processo de correção de seu preço ao redor do mundo. Por aqui, o dólar ainda tem passado por outro processo de correção, após sua disparada no fim do ano passado, quando atingiu o patamar de R$ 6,267.
O índice DXY, que mede o desempenho da divisa dos EUA frente a uma cesta de moedas estrangeiras, caía 0,40% pela manhã.
A moeda americana também recuava frente a cesta das principais moedas globais, além das cestas de moedas de mercados emergentes e de países da América Latina.
Agora, os mercados avaliam que as ameaças são mais uma tática política de negociação do que um plano concreto, o que provoca fortes perdas para o dólar neste início do ano.
Em outras palavras, o "tarifaço" de Trump trazia a ameaça de um grande potencial inflacionário, prometendo encarecer o custo de vida para os americanos e pressionando o Fed a manter as taxas de juros mais altas por lá.
Mas a partir do momento que os mercados passam a avaliar as ameaças como bravatas para pressionar acordos, esse processo não se consolida, o que tende a tornar o dólar mais barato por aqui.
"Falar sobre tarifas não é o mesmo que implementá-las, e acho que vimos muita conversa no último mês e pouca coisa sobre a implementação", disse Charlie Ripley, estrategista sênior de investimentos da Allianz Investment Management.
Fato mais recente que corrobora com a perspectiva de uma postura mais branda adotada por Trump se deu nesta quarta-feira. O presidente sugeriu que é "possível" chegar a um acordo comercial com a China -único país que sofreu o início das imposições tarifárias até agora. Outras medidas foram adiadas ou estão distantes para entrarem em vigor.
A bordo do avião presidencial junto com jornalistas, Trump relembrou que em 2020, os EUA haviam alcançado "um grande acordo comercial com a China".
Entre Washington e Pequim "há um pouco de competição, mas a relação que tenho com o líder Xi [Jinping] é, eu diria, excelente", disse.
Alguns de seus conselheiros e ex-conselheiros dizem que Trump busca um pacto abrangente com Xi, que iria além de apenas reformular a relação comercial entre os dois países.
O acordo incluiria investimentos substanciais e compromissos dos chineses de comprar mais produtos americanos, além de mirar a segurança de armas nucleares.
Mas os temores quanto ao potencial inflacionário das medidas de Trump ainda não foram totalmente eliminados.
Em sua mais recente ameaça, na quarta-feira, Trump disse que anunciará novas tarifas no próximo mês ou antes, acrescentando madeira e produtos florestais aos planos previamente anunciados de impor tarifas sobre carros importados, semicondutores e produtos farmacêuticos.
Nesta quarta foi divulgada a ata da reunião do banco central dos EUA realizada nos dias 28 e 29 de janeiro. Na ocasião, o Fed manteve a taxa básica de juros na faixa de 4,25% a 4,50%, após três encontros consecutivos cortando os juros.
Segundo a ata, as políticas de Trump criam incerteza para as perspectivas econômicas do Fed e preocupações sobre uma inflação mais alta. Além disso, dirigentes do Fed gostariam de ver novos progressos antes de novas quedas de juros.
A ata ajuda investidores a monitorar as próximas decisões de juros nos EUA e a mensurar o impacto que a medida pode ter no mercado brasileiro.
Diante desse cenário, o governo brasileiro vê alta de juros por aqui também. Isso porque, se o Fed mantiver a taxa de juros mais alta por mais tempo, o Banco Central do Brasil deve seguir o mesmo caminho a fim de assegurar um diferencial atrativo para investidores na economia brasileira.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta quinta-feira as políticas de Trump de impor taxações unilaterais a importações e afirmou que isso elevará a inflação nos Estados Unidos.
"O que queremos é que ele governe os EUA, que ele pare com esse protecionismo. Ele está taxando os produtos de todos os países, isso vai causar inflação nos Estados Unidos e isso pode não ser uma boa política para os EUA", disse Lula em entrevista à rádio Tupi FM, do Rio de Janeiro.
Lula voltou a dizer que, se houver taxação sobre produtos brasileiros, haverá reciprocidade. No entanto, o governo ainda não agiu depois dos anúncios de tarifas sobre aço e etanol.
Em relação ao aço, antes de tomar medidas retaliatórias, o governo brasileiro decidiu tentar negociar a volta de cotas livres de impostos antes de partir para retaliação.
Já em relação ao etanol, a avaliação dos próprios produtores é que o volume exportado para os EUA tem baixíssimo impacto.
O presidente lembrou que o Brasil tem uma balança comercial equilibrada com os Estados Unidos.
"O que queremos é primeiro que se respeite as regras da democracia, a ONU, as regras da Organização Mundial do Comércio, e se faça uma relação comercial tranquila, soberana, sem sobressaltos", disse.