Terça-feira, 8 de setembro de 2026

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Minuto a Minuto há 14 minutos Redação

Cúpula da Polícia Federal reage a afastamento de Andrei Rodrigues e coloca cargos à disposição

Onze diretores manifestam apoio ao diretor-geral afastado por decisão de André Mendonça e afirmam que acusações contra a corporação não encontram respaldo na trajetória da instituição

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Cúpula da Polícia Federal reage a afastamento de Andrei Rodrigues e coloca cargos à disposição

A crise instalada no comando da Polícia Federal ganhou novas proporções nesta terça-feira (8). Horas depois de o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar o afastamento preventivo do diretor-geral da corporação, Andrei Passos Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada, onze integrantes da cúpula da PF anunciaram que colocaram seus cargos à disposição do diretor-geral substituto, William Marcel Murad.

Em uma manifestação conjunta, os diretores classificaram os acontecimentos como ataques injustificados à instituição e manifestaram apoio a Rodrigues e Almada. O documento também rejeita as acusações de que a Polícia Federal ou seus dirigentes tenham adotado uma atuação incompatível com os princípios republicanos.

“Para que fique absolutamente claro, repudiamos toda e qualquer tentativa de imputar a eles ou à Polícia Federal uma atuação não republicana”, afirmaram os signatários. Segundo o grupo, acusações dessa natureza atingem a credibilidade construída pela instituição ao longo de sua história.

A manifestação ocorreu no mesmo dia em que Mendonça determinou o afastamento cautelar de Andrei Rodrigues e Leandro Almada. A decisão está relacionada a questionamentos sobre a produção e utilização de relatórios de inteligência elaborados no âmbito da Polícia Federal.

O ministro também determinou providências para apurar as circunstâncias relacionadas à elaboração dos documentos e suspendeu a produção, elaboração ou compartilhamento de relatórios destinados à análise de atividades jurisdicionais, da advocacia pública e da polícia judiciária, nos termos estabelecidos em sua decisão.

Apoio explícito à direção afastada

Na nota, os diretores destacaram a trajetória profissional de Andrei Rodrigues e de Leandro Almada e defenderam a atuação técnica da atual direção da PF.

O grupo afirmou ainda que críticas influenciadas por interesses político-eleitorais não seriam capazes de apagar a história profissional dos envolvidos nem a reputação construída pela Polícia Federal.

Ao final do documento, os onze dirigentes formalizaram a decisão de colocar os respectivos cargos à disposição de William Murad, que assumiu interinamente a direção-geral da instituição após o afastamento de Rodrigues.

A composição da cúpula da PF reúne treze diretores. Os dois que não assinaram a manifestação foram Murad, que passou a responder pela direção-geral, e Almada, afastado por determinação de Mendonça.

Quem colocou o cargo à disposição

Entre os signatários estão Dennis Cali, diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção; Fabrício Schommer Kerber, diretor de Polícia Administrativa; Otavio Margonari Russo, diretor de Combate a Crimes Cibernéticos; Felipe Tavares Seixas, diretor de Cooperação Internacional; Helena de Rezende, diretora de Gestão de Pessoas; e Roberto Reis Monteiro Neto, diretor Técnico-Científico.

Também assinaram o documento André Luis Lima Carmo, diretor de Administração e Logística; Christiane Correa Machado, diretora de Ensino da Academia Nacional de Polícia; Alexsander Castro de Oliveira, diretor de Proteção à Pessoa; Ademir Dias Cardoso Júnior, diretor de Tecnologia da Informação e Inovação; e Humberto Freire de Barros, diretor da Amazônia e Meio Ambiente.

Entre os nomes está Dennis Cali, responsável pela área de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção, setor que concentra, entre outras frentes, investigações relacionadas ao caso Banco Master.

Crise chega ao comando da PF

A decisão de Mendonça abriu uma crise sem precedentes recentes na cúpula da Polícia Federal e colocou em lados opostos diferentes interpretações sobre a atuação da instituição e os limites da atividade de inteligência.

O ministro sustentou que os documentos questionados apresentariam problemas de legitimidade e teriam sido utilizados em uma iniciativa para investigar sua própria atuação. Mendonça classificou como grave a produção dos chamados relatórios de inteligência e determinou medidas para interromper esse tipo de procedimento nas circunstâncias apontadas em sua decisão.

Do outro lado, integrantes da Polícia Federal reagiram defendendo a autonomia técnica da instituição e a trajetória dos dirigentes afastados.

A crise também chegou ao STF. A decisão de Mendonça foi submetida à Segunda Turma da Corte, que iniciou a análise da medida. O julgamento, porém, foi interrompido após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes, mantendo, por enquanto, os efeitos do afastamento preventivo.

Murad assume interinamente

Com o afastamento de Andrei Rodrigues, William Marcel Murad, então diretor-executivo da Polícia Federal, passou a exercer interinamente a direção-geral.

Apesar da turbulência, Murad sinalizou que a instituição deve preservar sua rotina e reafirmou confiança na estrutura de comando da corporação.

O movimento dos onze diretores, entretanto, evidencia a dimensão da crise. Ao colocar os cargos à disposição, a cúpula da PF transformou a defesa de seus dirigentes afastados em uma manifestação institucional de grande repercussão.

O episódio agora aguarda novos capítulos no Supremo Tribunal Federal, enquanto a Polícia Federal tenta preservar sua atuação em meio a uma das mais delicadas crises recentes envolvendo sua direção superior.

Por Zecca Paim - Jornalista

DRT 1453/RO


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