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Conta de luz pode consumir quase metade do salário mínimo e expõe drama de famílias em Rondônia

Com fatura de R$ 773,48, trabalhador que recebe R$ 1.621 compromete 47,71% da renda mensal com energia e fica com apenas R$ 847,52 para arcar com aluguel, alimentação, água, transporte e medicamentos.

Publicado em 11/08/2026 21:00 3 visualizações
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Conta de luz pode consumir quase metade do salário mínimo e expõe drama de famílias em Rondônia

Em Rondônia, manter a luz acesa pode estar se transformando em um dos maiores desafios para famílias de baixa renda. Relatos de consumidores apontam para faturas que chegam a quase R$ 800 — um valor que, diante de um orçamento baseado em apenas um salário mínimo, compromete uma parcela alarmante da renda mensal.

Uma conta de R$ 773,48, por exemplo, representa aproximadamente 47,71% de um salário de R$ 1.621. Depois de pagar a energia, restariam apenas R$ 847,52 para todas as outras despesas do mês.

É nesse ponto que a conta deixa de ser apenas uma cobrança mensal e passa a revelar um problema social.

Para uma família formada por pai, mãe e um filho, o dinheiro que sobra precisa ser dividido entre aluguel, alimentação, água, transporte, medicamentos, material escolar e outras necessidades básicas. Na prática, uma fatura elevada pode obrigar o consumidor a escolher qual compromisso será pago primeiro.

A comida ou a luz? O aluguel ou a conta de energia?

Essa é a realidade que pode estar sendo enfrentada por famílias que vivem no limite do orçamento e não têm margem financeira para absorver aumentos ou cobranças inesperadamente altas.

Um estado que produz energia, mas enfrenta contas pesadas

O cenário ganha uma dimensão ainda mais incômoda quando se olha para o papel de Rondônia no setor elétrico brasileiro.

O estado abriga grandes empreendimentos de geração de energia, entre eles as usinas hidrelétricas de Jirau, Santo Antônio e Samuel, que fazem parte da infraestrutura energética instalada na região.

É importante esclarecer: a tarifa paga pelo consumidor não é determinada simplesmente pelo fato de Rondônia produzir energia. A composição da conta envolve diversos fatores e é submetida à regulação da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).

Ainda assim, a contradição percebida pela população permanece: como um estado que participa de forma relevante da geração de energia pode ter famílias para as quais a própria eletricidade se tornou uma despesa capaz de consumir quase metade da renda mensal?

A pergunta não é sobre quem produz a energia, mas sobre quanto custa ao cidadão ter acesso a ela.

Reajuste aumenta pressão sobre orçamento doméstico

A situação se tornou ainda mais delicada após o reajuste tarifário aplicado à Energisa Rondônia, que teve aumento médio de 15,72% em dezembro de 2025, autorizado pela ANEEL.

Para quem possui renda elevada, um reajuste pode representar apenas mais uma despesa no orçamento. Para quem recebe salário mínimo, entretanto, cada percentual adicional pode significar a retirada de recursos destinados à alimentação ou a outras necessidades básicas.

O resultado pode ser uma sequência conhecida: aumento da dificuldade para pagar a fatura, atraso, acúmulo de débitos e risco de endividamento.

E quando a renda já está comprometida com despesas essenciais, não existe muito espaço para cortar.

A conta que não cabe no orçamento

O problema, portanto, não pode ser analisado apenas pela matemática de uma tarifa por quilowatt-hora. É preciso olhar para o impacto da conta sobre a vida de quem está na outra ponta do sistema: o consumidor.

Uma família que recebe um salário mínimo não escolhe quanto vai pagar de aluguel, quanto vai gastar com alimentação ou quanto custarão os medicamentos. Também não pode simplesmente deixar de consumir energia.

Geladeira, iluminação, ventilador, televisão, bomba d’água e outros equipamentos fazem parte da vida cotidiana.

A energia elétrica não é um luxo. É um serviço essencial.

Quando a conta chega a representar quase metade da renda de uma família, a discussão deixa de ser exclusivamente econômica e passa a ser social.

Quem paga o preço para manter a luz acesa?

Rondônia produz energia, abriga grandes empreendimentos hidrelétricos e participa da estrutura que abastece o sistema elétrico brasileiro. Mas, dentro de muitas casas, a pergunta é outra.

Quanto uma família de baixa renda pode pagar antes que a conta de luz deixe de ser uma despesa administrável e passe a ameaçar sua própria sobrevivência financeira?

A discussão precisa envolver consumidores, empresa distribuidora, órgãos de defesa do consumidor, autoridades públicas e órgãos reguladores.

Porque, no fim das contas, a energia pode iluminar uma casa — mas, quando a fatura pesa sobre quase metade da renda de uma família, é preciso perguntar quem está pagando o verdadeiro preço para mantê-la acesa.

Por: Zecca Paim - Jornalista

DRT 1453/RO

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