CENTRO DE PORTO VELHO ENFRENTA CENÁRIO DE ABANDONO, INSEGURANÇA E CRISE SOCIAL
Moradores e comerciantes relatam medo constante, prejuízos com arrombamentos e cobram ações urgentes do poder público
A região central de Porto Velho tem vivido dias de crescente insegurança e abandono, especialmente durante as madrugadas. O cenário, marcado por escombros, desordem urbana e presença constante de pessoas em situação de rua, tem gerado medo entre moradores e prejuízos frequentes ao comércio local.
De acordo com relatos recebidos pelo Jornal Rondônia em Questão, a área central da capital rondoniense enfrenta uma escalada de problemas que incluem arrombamentos de residências e estabelecimentos comerciais, furtos de veículos, invasões a imóveis desocupados e depredação do patrimônio público e privado.
Moradores denunciam que a situação se tornou rotina. Pessoas em situação de rua e usuários de drogas ocupam marquises, agências bancárias, imóveis abandonados e espaços públicos. Há ainda registros frequentes de furtos de fios elétricos, danos a padrões de energia e escaladas em muros e fachadas com o objetivo de retirar fiações.
A insegurança tem impactado diretamente o cotidiano da população. A aposentada Dulce Matias, de 63 anos, relatou momentos de tensão ao ser abordada por uma mulher em situação de rua armada com uma faca.
“Fiquei assustada. Moro há anos nessa região e nunca tinha passado por isso. Entreguei o que tinha, que eram meus remédios e o celular”, contou.
Outro caso é o do morador Wesley Santos, que teve o veículo arrombado durante a madrugada.
“Quebraram o vidro da porta traseira e levaram documentos, objetos de trabalho e até meu tênis. Tive um prejuízo de quase R$ 700. Me sinto desprotegido e com medo de que isso volte a acontecer”, afirmou.

As denúncias não param por aí. Um servidor público, que preferiu não se identificar, informou à reportagem que um imóvel de sua família, atualmente desocupado, foi invadido e passou a ser utilizado como abrigo por usuários de drogas.
Na região do Mercado do Km 1, nas proximidades do Colégio Murilo Braga, da Prefeitura, da Rodoviária e em diversas ruas centrais, o cenário se repete: ocupações irregulares, consumo de entorpecentes em via pública e abordagens a pedestres.
Moradores também relatam problemas sanitários e de saúde pública. Imagens registradas por câmeras de segurança mostram pessoas urinando e defecando em vias públicas, além de episódios de vandalismo e invasões.
Uma moradora da região entre as ruas Duque de Caxias e Joaquim Nabuco, que preferiu não se identificar, descreveu a situação como crítica:
“O prédio abandonado na esquina virou moradia. Já houve incêndios, relatos de violência e o mau cheiro é constante. É inseguro até passar pelo local.”

Para comerciantes, o impacto vai além do medo e atinge diretamente a economia. A lojista Karla Ornelas critica a falta de ações efetivas do poder público.
“Precisamos de providências urgentes e políticas eficazes de acolhimento e reintegração social. Falta planejamento e gestão diante de um problema que só cresce”, destacou.
Segundo relatos, as autoridades já foram acionadas diversas vezes, mas, até o momento, não houve respostas consideradas efetivas pela população.
Especialistas apontam que a situação exige uma abordagem integrada, que envolva segurança pública, assistência social e políticas de saúde mental. Entre as principais demandas estão a criação de estruturas adequadas de acolhimento, atendimento humanizado e programas de reinserção social.

Enquanto isso, moradores e comerciantes seguem convivendo com o medo, prejuízos financeiros e a sensação de abandono. A crise, que já ultrapassa os limites do tolerável, reforça a necessidade de ações urgentes, coordenadas e eficazes por parte do poder público municipal e estadual.
Por Zecca Paim – Redação
Jornalista DRT 1453/RO
Leia Também
SUCESSO NA ABERTURA! 2ª Feira Rondônia Empreendedora segue no Espaço Alternativo com entrada gratuita até domingo
07/08/2026
Novas sedes dos Conselhos Tutelares avançam com visita técnica em Porto Velho
30/07/2026