ATIVIDADE DELEGADA: origem do programa gera divergência entre Prefeitura de Porto Velho e comando da PM
Declaração do coronel Glauber Souto atribui ao Governo de Rondônia a iniciativa do programa, enquanto registros da implantação apontam participação direta da Prefeitura de Porto Velho
Uma declaração do comandante da Polícia Militar de Rondônia, coronel Glauber Souto, colocou em evidência uma divergência sobre a origem e a responsabilidade pela implantação da Atividade Delegada em Porto Velho.
Durante entrevista concedida a uma emissora de televisão local, o comandante afirmou que o programa seria uma iniciativa da Polícia Militar, por meio do Governo de Rondônia, com apoio da Prefeitura. Segundo ele, a proposta vinha sendo discutida havia alguns anos e acabou sendo colocada em prática na capital.
A declaração, entretanto, contrasta com a estrutura legal pela qual a Atividade Delegada foi implantada no município.
O programa passou a funcionar em Porto Velho a partir de uma legislação municipal encaminhada pela Prefeitura e aprovada pela Câmara de Vereadores. A iniciativa permite que policiais militares, policiais civis e policiais penais atuem durante os períodos de folga, mediante remuneração específica para o serviço extraordinário.
Na prática, a estrutura envolve uma parceria entre Estado e Município: o Governo de Rondônia participa disponibilizando os profissionais de segurança pública, enquanto a Prefeitura de Porto Velho é responsável pelo pagamento da atividade realizada durante as folgas.
Prefeitura assumiu o custeio
Um dos principais pontos da discussão está justamente no financiamento da atividade.
A remuneração dos agentes empregados na Atividade Delegada é custeada pelo Município de Porto Velho. Dessa forma, embora a participação dos órgãos estaduais de segurança seja indispensável para a execução do serviço, os recursos utilizados para pagar os policiais pelo trabalho extraordinário são municipais.
Em manifestações públicas anteriores, inclusive, representantes da própria Polícia Militar já reconheceram a participação financeira da Prefeitura, agradecendo ao Município pelo custeio dos policiais empregados no reforço do policiamento.

Programa ganhou força diante da cobrança por segurança
A Atividade Delegada ganhou maior visibilidade em Porto Velho diante do aumento das cobranças da população por mais segurança, especialmente na região central da capital.
Nas últimas semanas, comerciantes chegaram a realizar manifestações e protestos relacionados à insegurança. O cenário aumentou a pressão por medidas capazes de ampliar a presença policial nas ruas, principalmente durante a noite e a madrugada.
Como parte das ações de reforço do policiamento, a Prefeitura ampliou a utilização da Atividade Delegada, permitindo o emprego de agentes em horários de folga para reforçar as rondas e a presença ostensiva nas áreas consideradas prioritárias.
Parceria institucional
Independentemente da divergência sobre a origem da iniciativa, a execução da Atividade Delegada demonstra a necessidade de integração entre os diferentes níveis da administração pública.
O Estado permanece responsável pela estrutura das forças de segurança e pela disponibilização dos policiais, enquanto o Município utiliza recursos próprios para ampliar o efetivo disponível em determinados horários e regiões da cidade.
O episódio, contudo, reacende o debate sobre a importância de deixar claros os papéis de cada ente público na criação, financiamento e execução de programas voltados à segurança da população.
Em um momento em que a segurança pública ocupa espaço central nas discussões políticas de Rondônia, a correta identificação de responsabilidades também se torna relevante para que a sociedade saiba quem propôs, quem financia e quem executa cada iniciativa.
Por: Zecca Paim - DRT 1453/RO
Jornalista