4º Encontro da Voz reúne 11 corais e cerca de 120 estudantes em noite dedicada à música em Porto Velho
Com ingressos gratuitos esgotados, espetáculo acontece nesta quarta-feira (23), às 19h, no Teatro Estadual Palácio das Artes; lugares eventualmente vazios serão liberados ao público que estiver na fila
O canto coral volta a ocupar o centro da cena cultural de Porto Velho nesta quarta-feira (23), quando o Teatro Estadual Palácio das Artes recebe a quarta edição do Encontro da Voz, iniciativa que reúne 11 grupos corais em uma noite dedicada à música e à formação artística.
A apresentação começa às 19h e tem entrada gratuita. Os ingressos disponibilizados pela plataforma Sympla estão esgotados. Ainda assim, quem não conseguiu fazer a reserva poderá tentar acompanhar o espetáculo presencialmente: as portas do teatro serão abertas às 18h30 e, após as 19h, os lugares eventualmente não ocupados serão liberados para o público que estiver aguardando no local.
A edição deste ano reúne, além dos grupos corais, cerca de 120 estudantes da rede pública estadual, resultado de uma etapa de formação realizada ao longo dos últimos meses em escolas das zonas Leste e Sul da capital.
À frente da organização está Marcos Grutzmacher, 37 anos, professor do Instituto Federal de Rondônia (IFRO), doutor em Linguística, técnico em canto erudito e coralista em Porto Velho.
A relação de Grutzmacher com a voz começou ainda na infância. Ele teve paresia vocal, caracterizada pelo enfraquecimento das cordas vocais, experiência que o levou a buscar técnicas de reabilitação e posteriormente contribuiu para sua formação acadêmica em Fonoaudiologia.
Do palco às escolas
Nesta quarta edição, o Encontro da Voz ampliou sua proposta para além da apresentação no Palácio das Artes. O projeto passou por seis escolas estaduais localizadas nas zonas Leste e Sul de Porto Velho, entre elas as escolas Jorge Teixeira e Marcos Freire.
Nessas unidades, o grupo vocal Canóro, do qual Marcos Grutzmacher faz parte, realizou oficinas de técnica vocal e apresentações didáticas.
As atividades tiveram como objetivo preparar os estudantes para a experiência de subir ao palco e, ao mesmo tempo, aproximá-los da prática do canto coral e do circuito cultural da capital.
Ao todo, aproximadamente 120 alunos da rede pública estadual participam dessa etapa do projeto e terão a oportunidade de se apresentar no Teatro Estadual Palácio das Artes ao lado dos demais grupos.
Para Grutzmacher, o processo de formação tem um significado que vai além da técnica musical. Ele afirma que se identifica mais como um professor que canta do que como um cantor que ensina.
O aspecto que considera mais gratificante no trabalho pedagógico é acompanhar a evolução dos alunos: desde os primeiros contatos com o canto, muitas vezes sem afinação ou experiência, até o momento em que conquistam segurança para se apresentar diante do público.
Uma noite de diferentes vozes e repertórios
O programa do 4º Encontro da Voz reúne diferentes formações e propostas musicais. Os grupos apresentam um repertório que passa pela música erudita, pelo pop e por composições regionais de Rondônia.
A diversidade de estilos acompanha a própria proposta do projeto, que busca apresentar o canto coral como uma experiência coletiva e como uma possibilidade de convivência e expressão artística.
É também nesse aspecto que Grutzmacher concentra sua visão sobre o trabalho desenvolvido pelos grupos.
Para ele, cantar não se resume ao domínio técnico da letra e da melodia. O canto coral envolve, sobretudo, comunicação e vínculo entre quem está no palco e quem acompanha a apresentação.
“Não é só acertar a letra e a melodia. É se conectar com o público e falar ‘eu amo você’ de um jeito que faça a pessoa se arrepiar. É uma visão sobre conexão. Cantar não é [só] sobre voz, é sobre conexão”, afirmou.
Cultura financiada pela Política Nacional Aldir Blanc
O projeto que viabilizou esta edição do Encontro da Voz foi contemplado pelo Edital de Chamamento Público nº 008/2025, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), instituída pela Lei nº 14.399/2022.
Ao comentar o cenário cultural de Rondônia, Grutzmacher fez críticas à condução das políticas públicas para o setor.
Segundo ele, a cultura no estado poderia receber mais atenção do poder público e existem dificuldades na execução de políticas já estabelecidas.
“Poderia estar muito melhor. A gente tem visto ao longo dos anos uma certa dificuldade do poder público em colocar para a frente as políticas públicas que existem. Teve verba que retornou por falta de uso.”
O professor também questiona a ideia de que seja necessário “levar cultura” às comunidades. Na avaliação apresentada por ele, a população já possui sua própria bagagem cultural, e o coral deve ser compreendido como uma entre as diversas possibilidades de repertório e expressão artística.
A ausência de estruturas permanentes
Outro ponto levantado por Grutzmacher é a inexistência, em Rondônia, de corpos artísticos estáveis mantidos pelo poder público estadual nos teatros públicos.
Ele cita como referência os estados de Alagoas e Pará, que, segundo sua avaliação, estão à frente de Rondônia nesse aspecto.
O professor observa que o estado não mantém atualmente, em seus teatros públicos, um corpo de baile ou um coral contratado.
Ainda assim, ressalta que a produção artística local não deixou de existir. Ao contrário, continua sendo desenvolvida por artistas e produtores que mantêm suas atividades mesmo diante das limitações estruturais.
“Os artistas têm feito, apesar de, como sempre fazem. Eles não precisam de motivo para fazer, mas sempre fizeram, fazem e farão, porque a vida do artista é fazer arte.”
Na visão do regente, a criação de estruturas permanentes nos teatros públicos não seria responsável por produzir a arte local — que, segundo ele, já existe de maneira independente —, mas poderia garantir suporte técnico e infraestrutura contínua para os profissionais que atuam no setor.
Um palco para quem está começando
O 4º Encontro da Voz chega ao Palácio das Artes como resultado de uma combinação entre formação, apresentação e participação comunitária.
A iniciativa nasceu a partir da programação da Manhã Lírica e, ao longo das edições, adquiriu identidade própria, consolidando-se como um espaço de encontro entre diferentes grupos dedicados ao canto coral em Porto Velho.
Nesta edição, a presença dos estudantes das escolas públicas acrescenta uma dimensão pedagógica ao espetáculo. Para muitos deles, a apresentação representará o primeiro contato com o palco de um teatro.
O resultado é uma programação que reúne artistas experientes, grupos corais, professores e jovens estudantes em torno de uma mesma linguagem: a voz.
Serviço
4º Encontro da Voz
Data: quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Horário: 19h
Local: Teatro Estadual Palácio das Artes, Porto Velho (RO)
Entrada: gratuita
Ingressos: reservas pela Sympla esgotadas
Abertura das portas: 18h30
Fila de espera: lugares não ocupados após as 19h poderão ser liberados ao público presente no local
Participação: 11 grupos corais e aproximadamente 120 estudantes da rede pública estadual
Realização: projeto contemplado pelo Edital de Chamamento Público nº 008/2025 – Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), Lei nº 14.399/2022.